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CAVALEIROS - alusão aos Templários, às Cruzadas e à Távola Redonda. HERMON - o termo remete-nos ao Monte Hermon, em cujo topo se forma a neblina que se condensa em forma de garoa, o orvalho consagrado pelo Salmo 133. Essa precipitação "tolda parcialmente o sol escaldante do sul do Líbano, e umedece seu solo, transformando-o numa das regiões mais férteis e amenas do Oriente Médio."

Nós Cavaleiros do Hermon, na constante busca para tornar feliz a humanidade, sob a égide do Grande Arquiteto do Universo, que é Deus, nos reunimos às sextas-feiras a partir das 20h00 , na Avenida Pompéia, 1402 - Templo Ir.'. Willian Bucheb - São Paulo - SP.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

A HISTÓRIA DA MAÇONARIA PARA ADULTOS


Como a Maçonaria Operativa sucumbiu diante da Maçonaria Especulativa
Por Kennyo Ismail
Diversos historiadores maçons se dedicaram a contar e recontar a história do surgimento da Maçonaria Especulativa como conhecemos hoje. As versões são geralmente bastante similares entre si e, pelo conteúdo, se parecem com as histórias contadas para crianças antes de dormir:
“Era uma vez, há muito tempo atrás, os maçons operativos, que construíam castelos e catedrais. Eles começaram a aceitar nobres, burgueses e intelectuais na Maçonaria, chamados de “Aceitos” ou “Especulativos”. Esses se apaixonaram pela Maçonaria e trouxeram outros nobres, burgueses e intelectuais. Em pouco tempo, eles se tornaram maioria. E com o passar dos anos, a Maçonaria foi se aprofundando nos aspectos filosóficos e intelectuais, até que não se via mais maçons operativos na Maçonaria. E os maçons especulativos viveram felizes para sempre.”
Parece uma ótima história para explicar ao seu filho de cinco anos de idade o motivo de você ser um “pedreiro-livre” e não construir casas. Mas, definitivamente, não serve como História da Maçonaria, em pleno século XXI, a ser ensinada ao novo maçom de hoje, que possui nível superior e um mínimo de senso lógico e crítico.       
Não se pode contar a história da Maçonaria e de sua transição de Operativa para Especulativa sem considerar o contexto histórico e os aspectos socioeconômicos da época. A extinção da Maçonaria Operativa não se deveu por um simples processo de evolução interna dentro da Maçonaria, que teria então evoluído para Especulativa. Não foi um movimento interno, impulsionado pelos membros “aceitos”, que assumiram a liderança da instituição e promoveram seu desenvolvimento por uma via mais intelectual e elitista. Na verdade, foi um movimento estritamente externo e incontrolável pela Maçonaria. Para se compreender o fenômeno, deve-se, antes de tudo, contextualizá-lo:
A Maçonaria, sendo antiga e ocidental, teve logicamente origem no Velho Mundo: a Europa. Documentos históricos como a “Carta de Bolonha” (Século XIII), o “Poema Regius” (Século XIV), os Manuscritos de “Cooke” e “Estrasburgo” (Século XV) e alguns outros confirmam essa teoria, apresentando a Maçonaria Operativa, com suas cerimônias e Antigos Costumes, antes mesmo do descobrimento do Novo Mundo. Assim sendo, nada mais natural do que as primeiras Grandes Lojas terem surgido na Europa, nas primeiras décadas do Século XVIII.
O documento mais antigo citado, a “Carta de Bolonha”, evidencia que, já no século XIII, maçons especulativos conviviam com os operativos. Quando do surgimento da primeira Grande Loja, na Inglaterra de 1717, é sabido que, das quatro Lojas fundadoras, três eram compostas predominantemente por maçons operativos. Há inúmeros relatos e documentos que indicam que, durante quase todo o século XVIII, Lojas Operativas conviveram com Lojas Especulativas em boa parte da Europa. Isso significa que, por pelo menos 500 anos, meio milênio, os maçons operativos conviveram com os especulativos, sendo os operativos maioria. Afinal, o que então aconteceu com os maçons operativos? Por que eles desapareceram da Maçonaria no final do século XVIII?
O que exterminou a Maçonaria Operativa não foi a Especulativa, nem mesmo um processo de evolução cultural. O que pôs fim à Maçonaria Operativa foi… a Revolução Industrial. A mudança no processo produtivo, originada pelas invenções de máquinas e impulsionada pelo surgimento das indústrias, pôs fim à era de produção manual baseada nas guildas.  O trabalho estritamente manual foi substituído pelo trabalho de controle de máquinas. A iniciativa inglesa rapidamente se espalhou pela Europa, promovendo um êxodo rural e o abandono dos ofícios artesanais e manuais para atender a demanda por mão-de-obra industrial. Ao fim do século XVIII, o maçom operativo não teve outra escolha a não ser se tornar operário fabril e trabalhar uma média de 80 horas por semana. 
Muitos dos países europeus, preocupados em consolidar o novo modelo econômico, chegaram a adotar leis proibindo a Maçonaria Operativa. Esse foi o caso do famoso Ministro Turgot, da França, que determinou que:
“Proibimos todos os mestres e companheiros, operários e aprendizes do direito de formar associações, ou mesmo assembléias entre eles, sob qualquer pretexto. Em conseqüência, suprimimos todas as confrarias que possam ter sido estabelecidas tanto pelos mestres dos corpos e comunidades, como pelos companheiros e operários, das artes e ofícios”.
Fonte: Recueil Général des Anciennes Lois Françaises. 1774-1776.
Leis como essa foram o tiro de misericórdia para as poucas Lojas Operativas que ainda tentavam sobreviver aos primeiros anos da Revolução Industrial. Dessa forma, a Maçonaria Operativa desapareceu de vez, ficando a Maçonaria Especulativa como única e legítima herdeira de sua essência, responsável por preservar e passar adiante seus ensinamentos.

Essa é a história real. Sem contos de fadas.



sábado, 1 de abril de 2017

A FALTA DE COMPREENSÃO E A MÁCULA AO IDEAL DE FRATERNIDADE


“Sonho com o dia em que todos levantar-se-ão e compreenderão que foram feitos para viverem como irmãos”.
Nelson Mandela

Vamos falar sobre fraternidade. Ensina a Maçonaria que vontade e inteligência, sem o sentimento fraterno para com seus semelhantes, poderá transformar o homem em um monstro de egoísmo, e este apesar de todo o mal que poderá causar, desaparecerá, ou seja a existência não será registrada para a posteridade. Devemos sempre aplicar o princípio racional de três virtudes, Vontade – Inteligência – Amor Fraternal, assim conciliando antagônicos chegaremos ao sentimento comum, de modo que um irmão jamais possa prejudicar o outro.
É cediço, fraternidade deriva do termo latino frater, que significa "irmão". A fraternidade universal se traduz na boa relação entre os homens, em um ambiente onde há uma sinergia própria dos irmãos consanguíneos.
Fraternidade fundamenta-se no respeito pela dignidade da pessoa humana promulgando a igualdade de direitos entre todos.
Dentro de uma conceituação filosófica ela se une aos ideais da Revolução Francesa em 1789, embasados na busca de liberdade, igualdade e fraternidade, por isso talvez, dentro da Maçonaria tenha a palavra alçado o mais alto dos pódios.
Todavia, pergunto a fraternidade alçada ao patamar mais alto é realmente exercida pelos maçons de hoje?
De todas as agremiações ou associações existentes no orbe, deve-se tirar o chapéu para a instituição Maçonaria, pois esta se faz a mais completa de todas e, se não for a mais, sem dúvida está dentre as mais complexas, sendo perfeita e justa independente do rito que pratique. Qual outra associação se caracteriza pela estrutura humana que possui, onde homens de todas as etnias, credos e crenças, independente do ofício que exerça, recebem estímulos, a buscarem, de modo uníssono em sacras premissas,  a felicidade e aliada a evolução da raça humana. No entanto, mentes vazias de alguns (iniciados por algum motivo), criam necessidades questionáveis, transitando e contaminando os meios maçônicos, como consequência nossa Excelsa e Sublime Ordem afasta-se de sua realidade, fragiliza a unidade universal, pois esses não esclarecidos ferem suas raízes, esquecem suas origens.
A Maçonaria nunca impôs limites à livre investigação da verdade e é, com o fito de garantir essa liberdade, que ela exige de todos tolerância e assim a convivência harmônica.
A maçonaria em verdade, não é possuidora de doutrinas científicas tampouco sistemas religiosos; apenas clama pelo trabalho, instiga o pensamento, organiza o ensinamento dos leigos pelos mais esclarecidos; não realiza progresso científico, pois esse juntamente com a ciência é fruto do labor de toda humanidade. A obra maçônica possui natureza moral e social. O pensamento funda no amor o edifício moral e social da Humanidade; motivo pelo qual o espírito de fraternidade não pode sofrer máculas, pois estaria solapando o templo do pensamento maçônico.
Os ensinamentos maçônicos gradativamente nos revelam como devemos lapidar nosso “EU”, dando-nos condição para enxergarmos a ação tacanha e maléfica em nosso meio; melhor ainda: a ação de um gênio mal que habita no âmago de nosso ser, sempre espreitando, aguardando o melhor dos momentos para aflorar e assim dividir, separar; desunindo e desestabilizando a egrégora manifestada no ambiente fraternal. É como o cristão vê o mal que dividiu o Reino de Deus, separando-se dos anjos fiéis à vontade do Senhor; segundo a visão religiosa o mal personificado na figura diabólica vaga no mundo, como fez nos céus, tendo como premissa lançar a divisão desunir, afastar os que congregam de um mesmo pensamento.
A grande diferença, entre nós maçons e os religiosos, esteja na maneira como garantirmos a união fraternal, pois reconhecemos em nós mesmos a disposição mesquinha do ser, por isso sujeitamo-nos à pratica constante de lapidação do caráter e da moral, o que chamamos de Desbaste da Pedra Bruta, representado nas inúmeras representações esculturais onde o homem com o malho e o cinzel, quebra o bloco bruto de pedra em torno de si, resurgindo como uma nova criatura, de ampla visão e caráter ilibado, porém consciente que sempre haverá algo a melhorar em sua auto lapidação.
Porém, o questionamento feito é, um tanto quanto paradoxal, acerca da falta de espírito fraterno dentro de uma instituição cujo ensinamento e vivência se dão pela excelência do amor fraternal. 
Indubitavelmente encontramo-nos em uma era onde o mundo está dividido pela desigualdade, além das secções geográficas, políticas e tantas outras. Mas a grande divisão não são estas apresentadas, a grande divisão se manifesta no pior dos lugares e infelizmente também atingindo muitos irmãos; a pior das divisões está no fundo do coração humano, fruto do orgulho e da mesquinhez que ilude insinuando ser possível a autossuficiência, como se o ser humano fosse capaz de nascer, crescer, viver e morrer sem nunca ter precisado de ninguém. Sentimento pernicioso, conduzindo o indivíduo à crença de que é melhor do que o outro, que é mais importante, ou que pode mais do que seu semelhante.
Infelizmente esse nefasto sentimento ocupa alguns irmãos, afastando-os da razão e do entendimento da palavra fraternidade. Não é difícil encontrarmos nas lojas irmãos que se dedicaram ao apoio a outros irmãos e tiveram como resposta a falta de reconhecimento, ou pior a tentativa por parte do irmão “necessitado”, de inverter a situação se passando por vítima, em uma promíscua demonstração de mau-caratismo, ou virando as costas para aquele que na melhor das intenções lhe estendeu a mão.
Lembremos aquele que estende a mão para outro não deve esperar nada em troca, porém, aquele que falta ao espírito de fraternidade e esquece os preceitos não deve ser digno de confiança.
Novamente busquemos similitude nos ensinamentos contidos em livros sagrados acerca da fraternidade, vejamos dois exemplos, Bíblia e Alcorão:

Se teu irmão pecar contra ti, vai e, em particular com ele, conversem sobre a falta que cometeu. Se ele te der ouvidos, ganhaste a teu irmão. Porém, se ele não te der atenção, leva contigo mais uma ou duas pessoas, para que pelo depoimento de duas ou três testemunhas, qualquer acusação seja confirmada. (Bíblia)
E se alguém salvar uma vida, será como se tivesse salvo toda a humanidade"
(Alcorão)
Alguns homens se esquecem de tudo, menos de serem ingratos. (Alcorão)

Em um primeiro momento vemos a necessidade de perdoar, porém de se resguardar contra aqueles que não se permitem assumir que erraram. Em segundo momento o Alcorão ensina a unidade de uma fraternidade universal, por fim no terceiro exemplo, também do Alcorão, podemos ver a fragilidade humana manifestada na ingratidão, o que afasta-nos da pureza do espírito fraternal.
Ao não nos permitirmos perdoar, ou nos damos ao luxo de não reconhecermos nossos erros, o que é mais comum, estamos enaltecendo a divisão, a qual nos conduzirá a acusarmos uns aos outros, colocando a culpa neste ou naquele e, então, não seremos mais capazes de operar a conciliação e a reconciliação. Observem como se dividem as casas, as famílias; não falemos de divergências de opinião e de expressões de vida, pois estas são como a boa e doce bebida, divergir sem desrespeitar é saudável para a construção do templo chamado indivíduo, pois, na mesma casa, um pode pensar de um jeito, outro de outro; o marido pode ver de uma forma e a mulher de outra. Isso não é divisão, a diferença, a opinião diversa traz o crescimento, há evolução, é o ensinamento adquirido ao estudarmos o pavimento mosaico, diferenças dentro de um mesmo ambiente de respeito se completam; todos comungando de um mesmo saber, crescendo como maçons e como seres melhores. Se for ao contrário disto, dando a divergência lugar à divisão nefasta, fomentando o desrespeito e a falta de consideração, estará livre o caminho para a destruição de nosso templo interior e de nossa Ordem como um todo, pois não estaremos mais confiando uns nos outros, estaremos longe do cantado por Davi em seu Salmo 133.
Fragmentação [causada pelo mal agir] se dá quando um se põe contra o outro, quando um não é mais capaz de conviver com o outro; quando nos fazemos inábeis para suportar diferenças, porque queremos o mundo do nosso jeito, de nossa forma e da nossa maneira de pensar. Boicotamos-nos e deixamos o sentimento mundano invadir nossas mentes e por estarmos cegos para esse contágio, acabamos por não nos vigiarmos e assim ao estarmos em nossas Lojas, contaminamos a egrégora e deturpamos os ensinamentos com presunções espúrias sem direito a assento em nossas reuniões.
A energia da mudança que pretende evolução do espírito deve tomar o maçom, tem que estar ligada ao amor fraternal, pois se assim não for, estará o maçom no curso do mau intelecto, tornar-se-á servidor das forças do mal por falta de discernimento.
Por fim, a divisão, arma do mau intelecto, tenta reinar no seio da Ordem, por intermédio dos grupos e das lideranças que, muitas vezes, exercem certa influência sobre os mais novos. Por vaidades, já presenciamos muitas Lojas baterem colunas ou irmãos se desligarem dos quadros, como se a culpa fosse da Maçonaria, porém a culpa está no maçom que, apesar da boa visão, nega-se a enxergar com os olhos da alma e reconhecer que na sua conduta existe o maléfico espírito da divisão e da desunião humana. Já vimos esse mal em nossas casas, em nossas famílias; por isso, precisamos mais do que nunca adquirir o hábito de pedir perdão a nossos irmãos, mesmo não sendo o culpado dos desentendimentos, precisamos sublimar o espírito a sua condição mais elevada, além do pensamento e compreensão esperada de um homem mediano, precisamos ser mais maçons e menos profanos de avental.
Antes de questionarmos a Ordem e seus puros métodos de ensinamento, devemos aprender a nos respeitarmos, ensinarmos aos aprendizes mais valores e moral maçônica, ao invés de tentarmos passar teorias que sabemos de ouvirmos falar, contaminando assim a pureza de nossas instruções. Para que no futuro não digamos que não valeu a pena e que nada tem a se aprender.

BIBLIOGRAFIA
  • Ritual do Aprendiz Maçom GLESP-2006
  • Alcorão Sagrado – Federação das Associações Mulçumanas do Brasil
  • Bíblia Sagrada – Almeida revisada e Atualizada – Sociedade Bíblica do Brasil
  • WIRTH, Oswald - Os Mistérios da Arte Real - Ritual do Adepto. Do original: Les Mystères de L’Art Royal — Rituel de L’Adepte, de Oswald Wirth, Ed. “Le Symbolisme”, 1972. Tradução para o português de M.B.T.
                                            
Ir\ EUCLIDES CACHIOLI DE LIMA
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ARLS Cavaleiros do Hermon - 335