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CAVALEIROS - alusão aos Templários, às Cruzadas e à Távola Redonda. HERMON - o termo remete-nos ao Monte Hermon, em cujo topo se forma a neblina que se condensa em forma de garoa, o orvalho consagrado pelo Salmo 133. Essa precipitação "tolda parcialmente o sol escaldante do sul do Líbano, e umedece seu solo, transformando-o numa das regiões mais férteis e amenas do Oriente Médio."

Nós Cavaleiros do Hermon, na constante busca para tornar feliz a humanidade, sob a égide do Grande Arquiteto do Universo, que é Deus, nos reunimos às sextas-feiras a partir das 20h00 , na Avenida Pompéia, 1402 - Templo Ir.'. Willian Bucheb - São Paulo - SP.

terça-feira, 26 de julho de 2016

A ORIGEM E O DESENVOLVIMENTO DO RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO



Por Kennyo Smail

Afinal, qual é a origem do Rito Escocês Antigo e Aceito? Ele é Escocês, Francês ou Americano? Muitos são os maçons que afirmam, sem pestanejar: "É francês!" Mas veremos que tudo depende do que você considera por "origem".
Se você responder que a origem do REAA é escocesa, você não estará de todo errado. A base do Rito é historicamente tida como levada pelos Stuarts e sua corte, quando exilados na França. Todos eram de famílias escocesas.
James VI era rei da Escócia em 1601 quando, com 35 anos de idade, foi iniciado na maçonaria escocesa, na Loja Petth and Scone.[1] [2] É o primeiro Chefe de Estado que se tem notícia da iniciação na Maçonaria. Dois anos após sua iniciação, ele assumiu também o trono da Inglaterra e Irlanda, passando a ser para esses "James I" e iniciando assim a 'Era Stuaitista", O Rei James I ficou conhecido por ter idealizado e patrocinado a tradução da Bíblia para a língua inglesa, a qual até hoje é descrita como versão autorizada pelo Rei James. Acredita-se que todos os homens da família e nobres de sua corte tradicionalmente ingressavam na Maçonaria.
Resumindo um pouco a história, de forma a focarmos no que realmente interessa à Maçonaria, em 1715, os Stuarts foram exilados na França, mais precisamente em Bar le Duc.
Nesse mesmo ano, James Radclyffe, Conde e melhor amigo do pretendente ao trono, James III, "The Old Pretender", acompanhado de seu irmão Charles Radclyffe, ambos fiéis declarados à causa Stuart, retomaram à Escócia para participarem de uma rebelião. A rebelião fracassou e ambos foram presos, sendo que o Conde James Radclyffe foi executado e Charles Radclyffe conseguiu fugir e retomar à França
Dez anos depois, Charles Radclyffe, então secretário do Príncipe Charles Edward Stuart, conhecido como The Young Pretender", na França, atendendo o desejo do príncipe e de sua corte, funda a primeira Loja Maçônica "Escocesa” em território francês. [3] Através de sua liderança, as Lojas jacobitas, logo chamadas na França de Lojas Escocesas rapidamente se proliferam em território francês. E, na mesma intensidade da proliferação de Lojas, ocorreu a proliferação de graus e de ritos.
Em 1745, apoiando uma frustrada tentativa dos Stuarts de retomada do trono da Inglaterra, o Conde Charles Raclyffe é capturado e executado em Londres. Porém, sua iniciativa maçônica foi o embrião do que viria a se tornar, dentre vários ritos maçônicos, o Rito de Heredom.
Já a partir do Rito de Heredom, se você responder que a origem do REAA é francesa, isso não será de todo um equívoco. Os 25 graus do Rito de Heredom e sua difusão nos Estados Unidos é que deram origem ao REAA. Entretanto, temos aí uma diferença de 8 graus entre o Rito de Heredom (25 graus) e o Rito Escocês Antigo e Aceito (33 graus). Que Maçom nunca se perguntou quais seriam esses 8 graus, não é mesmo?
Para desvendar esse mistério, apresento a tabela na página anterior, comparativa entre os 25 Graus que formavam o Rito de Heredom e os 33 Graus que formam o Rito Escocês Antigo e Aceito.
Interessante observar que, originalmente, o grau de Intendente dos Edifícios precedia o grau de Preboste e Juiz, ao contrário do que se tem hoje. O mesmo ocorreu entre o grau Cavaleiro Prussiano, que precedia o Grande Patriarca (atual Mestre Ad-Vitam], e que também foram invertidos quando da organização do REAA. Os graus que surgiram nos Estados Unidos e foram acrescentados entre os graus do Rito de Heredom, formando o sistema do Rito Escocês Antigo e Aceito como o conhecemos, são os graus hoje numerados entre o 23º e o27º, e os graus 29, 31 e 33.
Mas do Rito de Heredom, O REAA não herdou apenas os graus. Para isso, precisamos retomar à França do Século XVllI.
Nos anos 1750, o Rito de Heredom, então popularmente chamado entre os Maçons franceses de Maçonaria Escocesa, estava se desenvolvendo rapidamente, dominando a política interna da Maçonaria naquele país.
Foi então que, em 1756, surgiu o Conselho dos Cavaleiros do Oriente, dirigido por Maçons da classe média [burgueses], com o intuito de organizar os Altos Graus do rito.
Já os Maçons de classe mais alta e da nobreza, não desejando ficar para trás dos burgueses, criaram o Supremo Conselho de Imperadores do Oriente e do Ocidente[5] Ora, um Supremo Conselho soa maior do que um simples Conselho, e Imperadores são logicamente superiores do que simples Cavaleiros. Além disso, Oriente e Ocidente é o dobro do que apenas Oriente!

Dessa forma, esse Supremo Conselho de Imperadores do Oriente e do Ocidente conseguiu prevalecer sobre o semanticamente diminuído Conselho dos Cavaleiros do Oriente, se tornando a legítima "incubadora" do Rito de Heredom.
Como emblema, esse Supremo Conselho de Imperadores do Oriente e do Ocidente buscou inspiração no Império Romano que, em seu auge, governou o Oriente e o Ocidente e adotou um sistema de dois governantes simultâneos. Nessa fase do Império Romano, adotou-se a águia bicéfala para simbolizá-lo.[6]O Supremo Conselho encontrou na águia bicéfala o símbolo ideal para Oriente e Ocidente e acrescentou uma coroa sobre ambas as cabeças da águia para simbolizar a realeza, afinal de contas, tratava-se de um Conselho de Imperadores.
Quando do surgimento do Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceito, em Charleston, nos Estados Unidos, com seu sistema de 33 Graus, aproveitou-se o emblema do Rito de Heredom, da águia bicéfala coroada sobre uma espada, acrescentando acima dessa um triângulo inscrito com o número 33.
E já que mencionamos os Estados Unidos, se você responder que a origem do REAA é americana, não haverá como desmenti-la. Foi nos Estados Unidos, que, por iniciativa dos chamados 11 cavalheiros de Charleston, na Carolina do Sul, definiu-se o sistema composto por 33 graus e o batizou com o nome de Rito Escocês Antigo e Aceito. Nessa ocasião, lá nos Estados Unidos, nasceu o primeiro Supremo Conselho do REAA no mundo, em maio de 1801[7]
Assim sendo, se você considerar a origem com base no nome e formato, o Rito é americano. Se considerar a origem com base no local onde sua prática se desenvolveu, o Rito é francês. Mas se considerara origem com base em suas raízes e tradições, o rito é escocês.
Não há como dizer que uma origem é mais legítima que a outra. Não podemos ignorar o fato de que, no mundo inteiro, os negros são chamados de afrodescendentes, os descendentes de japoneses de nipônicos, os judeus de sionistas. Os bisnetos de irlandeses nascidos nos EUA, por exemplo, ainda se consideram irlandeses. Em todos esses casos, a origem não está no local onde nasceram, mas no local onde, de alguma forma, estão suas raízes. Foi seguindo essa linha de raciocínio que os americanos denominaram o Rito de Escocês. Já seguindo o ponto de vista formal, legalista, o rito é indiscutivelmente americano, pois foi nos EUA que ele foi organizado, definido, nomeado, e onde a primeira instituição para administrar o Rito foi criada.
Porém, ao observar suas práticas, não há como descartar a essência da Maçonaria Francesa incrustada em seus rituais.
Enfim, temos então um. rito de raízes escocesas, desenvolvido na França e concluído nos EUA. Uma polinacionalidade condizente com a complexidade e profundidade de seus graus, e com sua prática em dezenas de países espalhados pelo mundo.

Notas
 (1) SCHUCHARD, Marsha Keith. Restring the Temple of Vision;: Cabalistic freemasonry and Stuart Culture. Leiden: E. J. Brill, 2002.
 (2) LOMAS, Robert. The Early History of freemasonry, in: OLSEN, Oddvar. The Templar Papers. Franklin Lakes, NJ: The Career Press, 2006.
 (3) ORVAL, José. Une historie humaine de la Franc-Maçonnerie spéculative. Liege: Céfal, 2006.
 (4) MACKEY, A. G. An Encyclopedia of Freemasonry and  its Kindred  Sciences. New York e Londres: The Masonic History Company, 1914.
 (5) MORRIS, Brent, The Complete Idiot's Cuide to Freemasonry . New York: Alpha Books/Penguin, 2006.
 (6) MACKEY, A. G. An Encyclopedia of Freemasonry and tis Kindred Sciences. New York e Londres: The Masonic History Company, 1914.
 (7) COIL, Henry Wilsom BROWN, William Moseley. Cotl's Masonic Encyclopedía. NewYork: Ed. Macoy, 1961.

Fonte: Revista Astreia