QUEM SOMOS

CAVALEIROS - alusão aos Templários, às Cruzadas e à Távola Redonda. HERMON - o termo remete-nos ao Monte Hermon, em cujo topo se forma a neblina que se condensa em forma de garoa, o orvalho consagrado pelo Salmo 133. Essa precipitação "tolda parcialmente o sol escaldante do sul do Líbano, e umedece seu solo, transformando-o numa das regiões mais férteis e amenas do Oriente Médio."

Nós Cavaleiros do Hermon, na constante busca para tornar feliz a humanidade, sob a égide do Grande Arquiteto do Universo, que é Deus, nos reunimos às sextas-feiras a partir das 20h00 , na Avenida Pompéia, 1402 - Templo Ir.'. Willian Bucheb - São Paulo - SP.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

SESSÃO A CÉU ABERTO

Em 13/07/2017, os Cavaleiros do Hermon participaram de uma bela Cerimônia a Céu Aberto, realizada na região entre os bairros do Jaraguá e Pirituba, em São Paulo, sob a condução de irmãos da Loja Minerva (GOSP/GOB).
Integração, Fraternidade e Aprendizado, foram as palavras de ordem nessa memorável Sessão.




quarta-feira, 26 de abril de 2017

A HISTÓRIA DA MAÇONARIA PARA ADULTOS


Como a Maçonaria Operativa sucumbiu diante da Maçonaria Especulativa
Por Kennyo Ismail
Diversos historiadores maçons se dedicaram a contar e recontar a história do surgimento da Maçonaria Especulativa como conhecemos hoje. As versões são geralmente bastante similares entre si e, pelo conteúdo, se parecem com as histórias contadas para crianças antes de dormir:
“Era uma vez, há muito tempo atrás, os maçons operativos, que construíam castelos e catedrais. Eles começaram a aceitar nobres, burgueses e intelectuais na Maçonaria, chamados de “Aceitos” ou “Especulativos”. Esses se apaixonaram pela Maçonaria e trouxeram outros nobres, burgueses e intelectuais. Em pouco tempo, eles se tornaram maioria. E com o passar dos anos, a Maçonaria foi se aprofundando nos aspectos filosóficos e intelectuais, até que não se via mais maçons operativos na Maçonaria. E os maçons especulativos viveram felizes para sempre.”
Parece uma ótima história para explicar ao seu filho de cinco anos de idade o motivo de você ser um “pedreiro-livre” e não construir casas. Mas, definitivamente, não serve como História da Maçonaria, em pleno século XXI, a ser ensinada ao novo maçom de hoje, que possui nível superior e um mínimo de senso lógico e crítico.       
Não se pode contar a história da Maçonaria e de sua transição de Operativa para Especulativa sem considerar o contexto histórico e os aspectos socioeconômicos da época. A extinção da Maçonaria Operativa não se deveu por um simples processo de evolução interna dentro da Maçonaria, que teria então evoluído para Especulativa. Não foi um movimento interno, impulsionado pelos membros “aceitos”, que assumiram a liderança da instituição e promoveram seu desenvolvimento por uma via mais intelectual e elitista. Na verdade, foi um movimento estritamente externo e incontrolável pela Maçonaria. Para se compreender o fenômeno, deve-se, antes de tudo, contextualizá-lo:
A Maçonaria, sendo antiga e ocidental, teve logicamente origem no Velho Mundo: a Europa. Documentos históricos como a “Carta de Bolonha” (Século XIII), o “Poema Regius” (Século XIV), os Manuscritos de “Cooke” e “Estrasburgo” (Século XV) e alguns outros confirmam essa teoria, apresentando a Maçonaria Operativa, com suas cerimônias e Antigos Costumes, antes mesmo do descobrimento do Novo Mundo. Assim sendo, nada mais natural do que as primeiras Grandes Lojas terem surgido na Europa, nas primeiras décadas do Século XVIII.
O documento mais antigo citado, a “Carta de Bolonha”, evidencia que, já no século XIII, maçons especulativos conviviam com os operativos. Quando do surgimento da primeira Grande Loja, na Inglaterra de 1717, é sabido que, das quatro Lojas fundadoras, três eram compostas predominantemente por maçons operativos. Há inúmeros relatos e documentos que indicam que, durante quase todo o século XVIII, Lojas Operativas conviveram com Lojas Especulativas em boa parte da Europa. Isso significa que, por pelo menos 500 anos, meio milênio, os maçons operativos conviveram com os especulativos, sendo os operativos maioria. Afinal, o que então aconteceu com os maçons operativos? Por que eles desapareceram da Maçonaria no final do século XVIII?
O que exterminou a Maçonaria Operativa não foi a Especulativa, nem mesmo um processo de evolução cultural. O que pôs fim à Maçonaria Operativa foi… a Revolução Industrial. A mudança no processo produtivo, originada pelas invenções de máquinas e impulsionada pelo surgimento das indústrias, pôs fim à era de produção manual baseada nas guildas.  O trabalho estritamente manual foi substituído pelo trabalho de controle de máquinas. A iniciativa inglesa rapidamente se espalhou pela Europa, promovendo um êxodo rural e o abandono dos ofícios artesanais e manuais para atender a demanda por mão-de-obra industrial. Ao fim do século XVIII, o maçom operativo não teve outra escolha a não ser se tornar operário fabril e trabalhar uma média de 80 horas por semana. 
Muitos dos países europeus, preocupados em consolidar o novo modelo econômico, chegaram a adotar leis proibindo a Maçonaria Operativa. Esse foi o caso do famoso Ministro Turgot, da França, que determinou que:
“Proibimos todos os mestres e companheiros, operários e aprendizes do direito de formar associações, ou mesmo assembléias entre eles, sob qualquer pretexto. Em conseqüência, suprimimos todas as confrarias que possam ter sido estabelecidas tanto pelos mestres dos corpos e comunidades, como pelos companheiros e operários, das artes e ofícios”.
Fonte: Recueil Général des Anciennes Lois Françaises. 1774-1776.
Leis como essa foram o tiro de misericórdia para as poucas Lojas Operativas que ainda tentavam sobreviver aos primeiros anos da Revolução Industrial. Dessa forma, a Maçonaria Operativa desapareceu de vez, ficando a Maçonaria Especulativa como única e legítima herdeira de sua essência, responsável por preservar e passar adiante seus ensinamentos.

Essa é a história real. Sem contos de fadas.



sábado, 1 de abril de 2017

A FALTA DE COMPREENSÃO E A MÁCULA AO IDEAL DE FRATERNIDADE


“Sonho com o dia em que todos levantar-se-ão e compreenderão que foram feitos para viverem como irmãos”.
Nelson Mandela

Vamos falar sobre fraternidade. Ensina a Maçonaria que vontade e inteligência, sem o sentimento fraterno para com seus semelhantes, poderá transformar o homem em um monstro de egoísmo, e este apesar de todo o mal que poderá causar, desaparecerá, ou seja a existência não será registrada para a posteridade. Devemos sempre aplicar o princípio racional de três virtudes, Vontade – Inteligência – Amor Fraternal, assim conciliando antagônicos chegaremos ao sentimento comum, de modo que um irmão jamais possa prejudicar o outro.
É cediço, fraternidade deriva do termo latino frater, que significa "irmão". A fraternidade universal se traduz na boa relação entre os homens, em um ambiente onde há uma sinergia própria dos irmãos consanguíneos.
Fraternidade fundamenta-se no respeito pela dignidade da pessoa humana promulgando a igualdade de direitos entre todos.
Dentro de uma conceituação filosófica ela se une aos ideais da Revolução Francesa em 1789, embasados na busca de liberdade, igualdade e fraternidade, por isso talvez, dentro da Maçonaria tenha a palavra alçado o mais alto dos pódios.
Todavia, pergunto a fraternidade alçada ao patamar mais alto é realmente exercida pelos maçons de hoje?
De todas as agremiações ou associações existentes no orbe, deve-se tirar o chapéu para a instituição Maçonaria, pois esta se faz a mais completa de todas e, se não for a mais, sem dúvida está dentre as mais complexas, sendo perfeita e justa independente do rito que pratique. Qual outra associação se caracteriza pela estrutura humana que possui, onde homens de todas as etnias, credos e crenças, independente do ofício que exerça, recebem estímulos, a buscarem, de modo uníssono em sacras premissas,  a felicidade e aliada a evolução da raça humana. No entanto, mentes vazias de alguns (iniciados por algum motivo), criam necessidades questionáveis, transitando e contaminando os meios maçônicos, como consequência nossa Excelsa e Sublime Ordem afasta-se de sua realidade, fragiliza a unidade universal, pois esses não esclarecidos ferem suas raízes, esquecem suas origens.
A Maçonaria nunca impôs limites à livre investigação da verdade e é, com o fito de garantir essa liberdade, que ela exige de todos tolerância e assim a convivência harmônica.
A maçonaria em verdade, não é possuidora de doutrinas científicas tampouco sistemas religiosos; apenas clama pelo trabalho, instiga o pensamento, organiza o ensinamento dos leigos pelos mais esclarecidos; não realiza progresso científico, pois esse juntamente com a ciência é fruto do labor de toda humanidade. A obra maçônica possui natureza moral e social. O pensamento funda no amor o edifício moral e social da Humanidade; motivo pelo qual o espírito de fraternidade não pode sofrer máculas, pois estaria solapando o templo do pensamento maçônico.
Os ensinamentos maçônicos gradativamente nos revelam como devemos lapidar nosso “EU”, dando-nos condição para enxergarmos a ação tacanha e maléfica em nosso meio; melhor ainda: a ação de um gênio mal que habita no âmago de nosso ser, sempre espreitando, aguardando o melhor dos momentos para aflorar e assim dividir, separar; desunindo e desestabilizando a egrégora manifestada no ambiente fraternal. É como o cristão vê o mal que dividiu o Reino de Deus, separando-se dos anjos fiéis à vontade do Senhor; segundo a visão religiosa o mal personificado na figura diabólica vaga no mundo, como fez nos céus, tendo como premissa lançar a divisão desunir, afastar os que congregam de um mesmo pensamento.
A grande diferença, entre nós maçons e os religiosos, esteja na maneira como garantirmos a união fraternal, pois reconhecemos em nós mesmos a disposição mesquinha do ser, por isso sujeitamo-nos à pratica constante de lapidação do caráter e da moral, o que chamamos de Desbaste da Pedra Bruta, representado nas inúmeras representações esculturais onde o homem com o malho e o cinzel, quebra o bloco bruto de pedra em torno de si, resurgindo como uma nova criatura, de ampla visão e caráter ilibado, porém consciente que sempre haverá algo a melhorar em sua auto lapidação.
Porém, o questionamento feito é, um tanto quanto paradoxal, acerca da falta de espírito fraterno dentro de uma instituição cujo ensinamento e vivência se dão pela excelência do amor fraternal. 
Indubitavelmente encontramo-nos em uma era onde o mundo está dividido pela desigualdade, além das secções geográficas, políticas e tantas outras. Mas a grande divisão não são estas apresentadas, a grande divisão se manifesta no pior dos lugares e infelizmente também atingindo muitos irmãos; a pior das divisões está no fundo do coração humano, fruto do orgulho e da mesquinhez que ilude insinuando ser possível a autossuficiência, como se o ser humano fosse capaz de nascer, crescer, viver e morrer sem nunca ter precisado de ninguém. Sentimento pernicioso, conduzindo o indivíduo à crença de que é melhor do que o outro, que é mais importante, ou que pode mais do que seu semelhante.
Infelizmente esse nefasto sentimento ocupa alguns irmãos, afastando-os da razão e do entendimento da palavra fraternidade. Não é difícil encontrarmos nas lojas irmãos que se dedicaram ao apoio a outros irmãos e tiveram como resposta a falta de reconhecimento, ou pior a tentativa por parte do irmão “necessitado”, de inverter a situação se passando por vítima, em uma promíscua demonstração de mau-caratismo, ou virando as costas para aquele que na melhor das intenções lhe estendeu a mão.
Lembremos aquele que estende a mão para outro não deve esperar nada em troca, porém, aquele que falta ao espírito de fraternidade e esquece os preceitos não deve ser digno de confiança.
Novamente busquemos similitude nos ensinamentos contidos em livros sagrados acerca da fraternidade, vejamos dois exemplos, Bíblia e Alcorão:

Se teu irmão pecar contra ti, vai e, em particular com ele, conversem sobre a falta que cometeu. Se ele te der ouvidos, ganhaste a teu irmão. Porém, se ele não te der atenção, leva contigo mais uma ou duas pessoas, para que pelo depoimento de duas ou três testemunhas, qualquer acusação seja confirmada. (Bíblia)
E se alguém salvar uma vida, será como se tivesse salvo toda a humanidade"
(Alcorão)
Alguns homens se esquecem de tudo, menos de serem ingratos. (Alcorão)

Em um primeiro momento vemos a necessidade de perdoar, porém de se resguardar contra aqueles que não se permitem assumir que erraram. Em segundo momento o Alcorão ensina a unidade de uma fraternidade universal, por fim no terceiro exemplo, também do Alcorão, podemos ver a fragilidade humana manifestada na ingratidão, o que afasta-nos da pureza do espírito fraternal.
Ao não nos permitirmos perdoar, ou nos damos ao luxo de não reconhecermos nossos erros, o que é mais comum, estamos enaltecendo a divisão, a qual nos conduzirá a acusarmos uns aos outros, colocando a culpa neste ou naquele e, então, não seremos mais capazes de operar a conciliação e a reconciliação. Observem como se dividem as casas, as famílias; não falemos de divergências de opinião e de expressões de vida, pois estas são como a boa e doce bebida, divergir sem desrespeitar é saudável para a construção do templo chamado indivíduo, pois, na mesma casa, um pode pensar de um jeito, outro de outro; o marido pode ver de uma forma e a mulher de outra. Isso não é divisão, a diferença, a opinião diversa traz o crescimento, há evolução, é o ensinamento adquirido ao estudarmos o pavimento mosaico, diferenças dentro de um mesmo ambiente de respeito se completam; todos comungando de um mesmo saber, crescendo como maçons e como seres melhores. Se for ao contrário disto, dando a divergência lugar à divisão nefasta, fomentando o desrespeito e a falta de consideração, estará livre o caminho para a destruição de nosso templo interior e de nossa Ordem como um todo, pois não estaremos mais confiando uns nos outros, estaremos longe do cantado por Davi em seu Salmo 133.
Fragmentação [causada pelo mal agir] se dá quando um se põe contra o outro, quando um não é mais capaz de conviver com o outro; quando nos fazemos inábeis para suportar diferenças, porque queremos o mundo do nosso jeito, de nossa forma e da nossa maneira de pensar. Boicotamos-nos e deixamos o sentimento mundano invadir nossas mentes e por estarmos cegos para esse contágio, acabamos por não nos vigiarmos e assim ao estarmos em nossas Lojas, contaminamos a egrégora e deturpamos os ensinamentos com presunções espúrias sem direito a assento em nossas reuniões.
A energia da mudança que pretende evolução do espírito deve tomar o maçom, tem que estar ligada ao amor fraternal, pois se assim não for, estará o maçom no curso do mau intelecto, tornar-se-á servidor das forças do mal por falta de discernimento.
Por fim, a divisão, arma do mau intelecto, tenta reinar no seio da Ordem, por intermédio dos grupos e das lideranças que, muitas vezes, exercem certa influência sobre os mais novos. Por vaidades, já presenciamos muitas Lojas baterem colunas ou irmãos se desligarem dos quadros, como se a culpa fosse da Maçonaria, porém a culpa está no maçom que, apesar da boa visão, nega-se a enxergar com os olhos da alma e reconhecer que na sua conduta existe o maléfico espírito da divisão e da desunião humana. Já vimos esse mal em nossas casas, em nossas famílias; por isso, precisamos mais do que nunca adquirir o hábito de pedir perdão a nossos irmãos, mesmo não sendo o culpado dos desentendimentos, precisamos sublimar o espírito a sua condição mais elevada, além do pensamento e compreensão esperada de um homem mediano, precisamos ser mais maçons e menos profanos de avental.
Antes de questionarmos a Ordem e seus puros métodos de ensinamento, devemos aprender a nos respeitarmos, ensinarmos aos aprendizes mais valores e moral maçônica, ao invés de tentarmos passar teorias que sabemos de ouvirmos falar, contaminando assim a pureza de nossas instruções. Para que no futuro não digamos que não valeu a pena e que nada tem a se aprender.

BIBLIOGRAFIA
  • Ritual do Aprendiz Maçom GLESP-2006
  • Alcorão Sagrado – Federação das Associações Mulçumanas do Brasil
  • Bíblia Sagrada – Almeida revisada e Atualizada – Sociedade Bíblica do Brasil
  • WIRTH, Oswald - Os Mistérios da Arte Real - Ritual do Adepto. Do original: Les Mystères de L’Art Royal — Rituel de L’Adepte, de Oswald Wirth, Ed. “Le Symbolisme”, 1972. Tradução para o português de M.B.T.
                                            
Ir\ EUCLIDES CACHIOLI DE LIMA
Past-Master
ARLS Cavaleiros do Hermon - 335

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

CONSCIÊNCIA


Charles Evaldo Boller
Sinopse: Considerações a respeito do treinamento e uso da consciência.

O maçom é sempre obediente? Não! Ele obedece a uma treinada consciência voltada para o bem e baseada em princípios morais.
Consciência é capacidade humana que pode ser treinada e desenvolvida. É o utilitário de segurança mais usado pelo homem sábio com vistas à pureza moral. É ela quem efetua comparações com padrões de moral que freiam o mal. A constante convivência com pessoas detentoras de elevada moral injeta na mente comportamentos, pensamentos, crenças e diretrizes que a treinam. Estudar e filosofar temas morais também contribui na sua boa edificação. Mas não é suficiente! É necessário querer e estar disposto em aceitar mudanças, orientações e advertências. Quando certa ação conflita com o padrão desenvolvido no condicionamento moral, soa o aviso de alerta ao inicio da contenda, empunha-se a consciência como escudo. Ela acusa e defende o homem do proceder que prejudica. Deixa de funcionar se estiver cauterizada, tornada insensível por inúmeros atentados que a desrespeitam. A consciência gera culpa e esta imobiliza a ação errada. A companhia de pessoas promíscuas e praticantes de atos atentatórios à moral prejudica seu bom condicionamento. É semelhante ao arrancar de terminações nervosas da carne que fica destituída de tato. A ação da pessoa passa a ser controlada pelo temor a castigos e não mais ao sentimento de culpa que imobiliza a ação do mal.
No Rito Escocês Antigo e Aceito o adepto recebe de herança cultural a direção que preconiza a obediência de caserna, disciplina marcial e rígida, influência de vetustas ordens de cavalaria e profissionais. A companhia de pessoas boas e disciplinadas auxilia no desenvolvimento de boa consciência. Razão da boa e criteriosa escolha de novos obreiros. Profano que não possui estatura mínima em sentido moral é impedido de entrar na Maçonaria, daí a importância de rigorosas sindicâncias. Uma vez iniciado, a convivência pacífica e amorosa entre os maçons proporciona a sintonia fina da consciência sensível e inteligente. Quem não treina a sua consciência faz de si um animal incapaz de ocupar-se de outra coisa, a não ser daquela do destino próprio dos animais.
Se a consciência do maçom está afinada com a moral, este pode até dispensar o livro da lei no altar dos juramentos. O detentor de boa consciência tem um livro da lei escrito no coração e na mente. Para o cristão, a bíblia judaico-cristã é símbolo da sua consciência. Representa espiritualidade e racionalidade de todo homem bom dotado de consciência voltada ao bem. Aquele que passa por transformação em sentido lato, reunindo em si bons princípios morais, éticos, religiosos, emocionais, físicos e espirituais tem o alicerce de sua consciência construído sobre a rocha. O maçom usa da inteligência para educar-se e afinar a consciência ao que ditam as leis naturais estabelecidas pelo Grande Arquiteto do Universo. Desenvolve e entende a mensagem contida na filosofia da Maçonaria, em cuja escalada peregrina ao interior de si. Trabalha a pedra por dentro nos exercícios de individuação tornando-se consciente do milagre da vida que o anima. E nesse seu mundo interior desenvolve acurada consciência, instrumento que o desculpa e acusa, diferencia entre bem e mal, percebe certo e errado.
Na história da Maçonaria observa-se que quando de parte de maçons ocorreu desobediência civil, aconteceram fatos que promoveram melhorias às sociedades humanas. Treinado a consciência o maçom desobedece tudo o que possa bloquear o exercício da liberdade responsável, o bom uso da liberdade com possibilidades de escolhas. O maçom obedece mais à consciência criada pelo Grande Arquiteto do Universo que às leis, dogmas religiosos e ideologias políticas. Parte do princípio que aceitar de forma passiva às leis injustas as tornam legítimas. A sua espiritualidade associada à sua boa consciência levam-no a caminhar conforme os elementos de seu projeto existencial onde não obedece a ordens que conflitam com a moral guardada pela consciência. Tem o dever juramentado de rebelar-se contra leis e dominações injustas. Cultiva e condiciona sua consciência para a ação orientada ao amor fraterno; aquele sentimento em ação que soluciona a todos os problemas de relacionamento e humaniza o homem. O treinamento da consciência é atividade permanente do maçom e é por isso que ele começa cada tarefa invocando a glória do Grande Arquiteto do Universo.

BIBLIOGRAFIA:
 1. ALMEIDA, João Ferreira de, Bíblia Sagrada, ISBN 978-85-311-1134-1, Sociedade Bíblica do Brasil, 1268 páginas, Baruerí, 2009;
 2. BAYARD, Jean-Pierre, A Espiritualidade na Maçonaria, Da Ordem Iniciática Tradicional às Obediências, tradução: Julia Vidili, ISBN 85-7374-790-0, primeira edição, Madras Editora limitada., 368 páginas, São Paulo, 2004;
 3. CAMINO, Rizzardo da, Reflexões do Aprendiz, Coleção Biblioteca do Maçom, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha limitada., 157 páginas, Londrina, 1992;
 4. RODRIGUES, Raimundo, A Filosofia da Maçonaria Simbólica, Coleção Biblioteca do Maçom, Volume 04, ISBN 978-85-7252-233-5, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha limitada., 172 páginas, Londrina, 2007.

Data do texto: 08/12/2011.

Sinopse do autor:
Charles Evaldo Boller, autor, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 62 anos de idade.
Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná.
Rito: Rito Escocês Antigo e Aceito
Local: Curitiba.
Grau do Texto: Aprendiz Maçom.
Área de Estudo: Comportamento, Consciência, Educação, Espiritualidade, Filosofia, História, Liberdade, Maçonaria, Política.

Extraído de:

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quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

HUZZÉ, A ORIGEM DA ACLAMAÇÃO ESCOCESA
Luiz Sergio Castro


Na maçonaria brasileira, os irmãos praticantes do REAA (Rito Escocês Antigo e Aceito) estão bem familiarizados com a tripla aclamação Huzzé, utilizada na abertura e no fechamento dos trabalhos, mas a sua origem é um pouco duvidosa devido a confusão de teorias criadas por escritores que talvez não tivessem o acesso a tanta informação quanto temos atualmente, e com a facilidade que a internet nos proporciona.
Cito abaixo algumas teorias bem conhecidas sobre a origem da aclamação:

– Huzzé é derivada de uma palavra hebraica que significaria uma espécie de “acácia”, como símbolo de imortalidade;

– Palavra formada pela raiz O’z e sufixo Zé, significando “É minha força” uma alusão ao GADU;

– Origem espanhola – alguns dizem que Cavaleiros Templários que fugiram da França frente às perseguições do Rei Filipe e do Papa Clemente V e se refugiaram no sul da Espanha, uniram-se a população local para combaterem durante a guerra civil que assolava a região e a cada vitória eles gritavam a palavra Huzzé em celebração;

– Aclamação realizada para expulsar o “ar impuro”, mandando embora todo o negativismo que carregamos no dia-a-dia profano;

– Huzzé seria uma espécie de Hurra, como a aclamação Hip, Hip, Hurra;

Diante desta confusão, busco na história a origem e inserção desta prática na maçonaria.

Um pouco de história

Tudo indica que a aclamação Huzzé, deriva da palavra Huzza dos ingleses, onde a pronúncia com o tempo, criou a modificação na escrita.
O livro Essential Militaria de Nicholas Hobbes nos informa que nos séculos XVII e XVIII, Huzza era um cumprimento ou saudação usado pelos marinheiros, para homenagear quem embarcava ou desembarcava. Menciona também que a expressão era um grito repetido em uníssono, sincronizadamente, quando os marujos atuavam em conjunto para puxar os cabos das velas ou as amarras das embarcações.
Há relatos de que nos séculos XVIII e XIX, três Huzzas eram dados pela infantaria britânica antes dos disparos, como meio de ganhar moral e de intimidar o inimigo. Há quem diga que eram dois huzzas curtos seguidos de um terceiro, mais longo, dado durante a carga final.
Foi dessa forma, acreditamos, que o brado utilizado no REAA deve ter chegado aos marinheiros ingleses e depois, pelo fato da Inglaterra ser um país onde as atividades navais ocupavam grande destaque, passado ao resto da sociedade não só como exclamação de alegria e aprovação, mas também como designativo de união e atitude solidária. Disso, talvez, advenha sua adoção pela maçonaria.

Mas quando esta aclamação passou a ser utilizado pelos maçons?

William Preston, em seu livro Illustrations of Masonry, descreve com detalhes o evento ocorrido em 1753 na Escócia, no evento de lançamento da pedra fundamental do conjunto de edifícios chamados “The New Exchange of Edinburgh”, onde foi realizada uma procissão de 672 irmãos, que foi iniciada em frente a famosa Mary´s Chapel, em caminhada até o local onde seria lançada a pedra fundamental.
A procissão foi recebida por mais de 150 militares juntamente com uma companhia de granadeiros, em duas linhas, sob as armas, que escoltaram a procissão. Este fato foi de tão importância para os maçons, que o Grão-Mestre da Escócia, Lorde Carysfort, descreveu a honra de estar presente a tal acontecimento e ao realizar a cerimônia de lançamento da pedra fundamental, deu três pancadas na pedra com o Maço, seguido de três huzzas, provavelmente em homenagem aos militares ali presentes tendo visto a forte relação dos militares com a maçonaria.
Após alguns procedimentos do evento, o Grão-Mestre proferiu a frase “Que a mão generosa do céu abasteça esta cidade com abundância de milho, vinho, óleo e todas as outras conveniências da vida! Huzza, Huzza, Huzza!!!”.
Outro livro descreve a utilização da aclamação na Escócia ainda no século XVIII, geralmente em lançamentos de pedras fundamentais. A obra escrita William Alexander Laurie em 1804, sob o nome “The history of free masonry and the Grand Lodge of Scotland” cita que a prática militar de aclamar três Huzzas juntamente com o tocar de trombetas, diversas vezes foi realizada para recepcionar os maçons nos eventos.
O escritor inglês John Dunton, no livro “Cartas da nova Inglaterra”, registra o costume militar de se saudar autoridades com gritos de Huzza, muito comum entre os militares ingleses e escoceses. Huzza era o grito de guerra usado pelas tropas da marinha inglesa, bem como a do corpo de granadeiros.
Em 1778, para celebrar a aliança realizada com a França, o general George Washington diz ao seu exército: “Huzza, Viva o rei da França, Huzza, Vivam os amigos das potências europeias, Huzza, Viva o Estados Unidos da América”.
E finalmente, o exército Inglês faz uso dessa expressão (Huzza) em uma canção de marcha dirigida contra os franceses:

“And, Monsieurs, you’ll find us as good as our words:
Beat drums, trumpets sound, and Huzza for our King!
Then welcome Bellisle, with what troops thou canst bring!
Huzza! for Old England, whose strong-pointed lance
Shall humble the pride and the glory of France.”

Observando a aclamação nos rituais
Embora a aclamação Vivat, Vivat, Vivat, já apareça em 1737, com a divulgação de “La réception d’un Frey-Maçon” e no rito adohiramita com o “Recueil Precieux de la Maçonnerie Adonhiramite”, o triplo Huzzé e suas variantes não aparecem nos documentos do século XVIII.
Nas primeiras divulgações como o Maçonaria Dissecada (1730) e o Três Batidas Distintas (1760), apesar de aparecerem os três golpes de malhete na abertura dos trabalhos, não faz referências a aclamação.
Somente em 1804, no “Guia dos Maçons Escoceses”, também chamado de “Livro dos três graus simbólicos do rito antigo e aceito”, que a tripla aclamação surge na abertura e fechamento dos trabalhos da loja, neste momento escrito como “Houzze”.
Depois, em 1813, no livro “Tuileur de l’Écossisme” de Delaulnaye, novamente é registrada a utilização da aclamação escocesa (Houzze) na abertura da loja.

Conclusão

Estou convencido que a tripla aclamação escocesa foi inserida na maçonaria por influência dos militares e dos eventos ocorridos no século XVIII e descritos acima, era muito comum o alto escalão militar estar composto por maçons que ocupavam também cargos de importância na administração da maçonaria. O Huzzé foi usado inicialmente como uma exclamação de alegria e comemoração, simples assim, sem invenções e significados mirabolantes.
Bibliografia:
Illustration of Masonry – William Preston
The history of free masonry and the Grand Lodge of Scotland – William Alexander Laurie
Essential Militaria – Nicholas Hobbes
Tuileur de l’Écossisme – Delaulnaye

Por Ir.'.  Luciano Rodrigues


quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

SOCIEDADES SECRETAS – MAÇONARIA E O PERÍODO DITATORIAL

NOTA INTRODUTÓRIA

Curiosidades - Você sabia que Getúlio Vargas mandou fechar a Maçonaria Brasileira?

Para quem conhece um pouco da Ordem, sabe que absolutismo e ditadura nada tem haver com nossos ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Getulhão sabia disso também! Pois bem, o historiador e nosso Irmão Frederico Guilherme costa em seu livro “A Trolha na Universidade” no capítulo 34, publicou uma ata da Loja “Fraternidade de Santos” de 1º de fevereiro de 1938 que reproduzirei parte dela a seguir para contextualizar a informação acima.
“Levando-se em conta a situação da loja e seu patrimônio, os Obreiros deliberaram, entre outras medidas o seguinte:
a)      – Considerando, que a Comissão Executiva do Estado de Guerra, nomeada pelo Exm° Sr. Presidente da República, deixou uma ordem mandando fechar o Grande Oriente do Brasil, os Grandes Orientes dos Estados e todas as Lojas maçônicas do país;”
Diante do exposto, acredito que a Maçonaria com seu currículo de lutas contra a tirania pelo mundo, deve ter deixado o Getúlio desconfortável, levando o mesmo a tomar a atitude de fechar nossa Augusta Fraternidade a fim de evitar futuras ameaças.




SOCIEDADES SECRETAS – MAÇONARIA E O PERÍODO DITATORIAL

A maioria dos maçons apoiou inicialmente o golpe, em um contexto que a situação do país era caótica. Castellani ainda afirma que o apoio da Maçonaria se deu devido à intenção do presidente de dar um rumo ordeiro à nação e devolver o governo aos civis, fato que não ocorreu devido a influencia da ala radical do exército. Ao contrário do Estado Novo, período ditatorial em que o Presidente Getúlio Vargas mandou fechar quase que todas as lojas maçônicas, o governo instaurado em 64 praticamente não repreendeu a instituição maçônica, de fato, o autor ressalta que era a própria Maçonaria que expurgava os membros considerados radicais. Além disso, existiam aproveitadores na ordem que usavam da tendência política dominante para perseguir outros maçons considerados adversários e os acusá-los de serem comunistas.
Este clima tenso fez que com que pessoas de destaque como o secretário de cultura sofressem pressões da ordem e fossem julgados como “pessoas de esquerda”, portanto, inadequados de pertencerem à Maçonaria. A partir de 1968 o sistema ditatorial começou a ficar mais repressivo. Artur da Costa Silva era o presidente do período, o congresso foi fechado e foi instaurado o Ato Institucional n° 5(AI 5) que acabava com várias garantias institucionais e jogava o Brasil em um período de muita censura e repressão. Devido á tensão da época, a atividade maçônica começou a diminuir se restringindo a fatos administrativos internos. Castellani afirma que no dia 24 de junho de 1969, o Grão Mestre Geral Moacir Arbex Dinamarco escreveu no seu relatório geral a seguinte mensagem: “(…) Demonstramos o pensamento da Maçonaria sobre a relevância do papel das forças armadas na defesa do regime democrático. Não nos acomodamos quanto à crise estudantil e, em declaração incisiva, colocamo-nos como mediador da mesma, procurando serenar o episódio”. Apesar de o Grão Mestre Moacyr afirmar que defendia um regime democrático, ele fazia exatamente o oposto, defendendo em nome da Maçonaria, um regime ditatorial.
Depois de Costa e Silva, o Brasil foi governado por Emílio Garrastazu Médici, que inaugurou a época mais dura e repressiva do regime. Essa época foi marcada por dissidências dentro da Maçonaria, em partes causadas pelo aumento do número de maçons contrários à ditadura militar. Em 1973 ocorreu uma cisão na Ordem Paulista, que ficou conhecido como “Cisma Paulistinha”, esse evento foi causado basicamente por disputas políticas internas referentes às sucessões de cargos maçônicos.
Depois da Era Médici, o general Ernesto Beckmann Geisil assumiu o controle do regime, e foi o principal responsável pelo início da lenta e gradual abertura política do país. O auge do apoio institucional da Maçonaria aconteceu no dia 15 de março de 1974, quando o presidente Geisel recebeu em audiência, o Grão Mestre Geral Osmame Vieira de Resende e o seu Adjunto o senador do partido situacionista Osíris Teixeira. No referido evento, Teixeira leu um ofício que reafirmava o apoio do Grande Oriente ao governo instaurado em 1964. De acordo com Castellani esse evento se fez sem consulta ao chamado “povo maçônico”, que desiludido e não percebendo a volta do regime democrático, já não apoiava, em sua maioria, o regime vigente.
Em 1979, João Batista Figueiredo assumiu a presidência, em um governo que se caracterizou por atitudes menos repressivas. No dia 28 de agosto, o presidente sancionou a lei de anistia, que foi promulgada no dia 1º de novembro. A Maçonaria apoiou a lei da anistia, apesar de haver maçons que não concordaram com essa ideia. A instituição também apoiou as eleições diretas para presidente no ano de 1984, o que de fato não ocorreu, visto que alguns grupos políticos queriam manter-se no poder. Pela via indireta foi eleito Tancredo Neves, que morreu antes de tomar posse, sendo assim o cargo foi entregue a José Sarney. Sarney conduziu o país em um regime impopular e marcado pela alta inflação, mas que entraria na história por ter sido o primeiro governo civil depois de duas décadas de ditadura militar.

Texto: Marcus Vinícius Galindo

Saiba Mais:

·         ALMERI, Tatiana. Raízes Secretas. In: Sociedades Secretas: Maçonaria,
Illuminatis, Cavaleiros Templários. Direção: Sandro Aloísio. Ed: Escala. São
Paulo, 2009. P. 104.
·         CASTELLANI, José. A Ação Secreta da Maçonaria na Política Mundial. Ed:
Landmark , São Paulo. 2007

Extraído de : http://monicanobrega.com.br/sociedades-secretas-maconaria-e-o-periodo-ditatorial/