QUEM SOMOS

CAVALEIROS - alusão aos Templários, às Cruzadas e à Távola Redonda. HERMON - o termo remete-nos ao Monte Hermon, em cujo topo se forma a neblina que se condensa em forma de garoa, o orvalho consagrado pelo Salmo 133. Essa precipitação "tolda parcialmente o sol escaldante do sul do Líbano, e umedece seu solo, transformando-o numa das regiões mais férteis e amenas do Oriente Médio."

Nós Cavaleiros do Hermon, na constante busca para tornar feliz a humanidade, sob a égide do Grande Arquiteto do Universo, que é Deus, nos reunimos às sextas-feiras a partir das 20h00 , na Avenida Pompéia, 1402 - Templo Ir.'. Willian Bucheb - São Paulo - SP.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

CONSCIÊNCIA


Charles Evaldo Boller
Sinopse: Considerações a respeito do treinamento e uso da consciência.

O maçom é sempre obediente? Não! Ele obedece a uma treinada consciência voltada para o bem e baseada em princípios morais.
Consciência é capacidade humana que pode ser treinada e desenvolvida. É o utilitário de segurança mais usado pelo homem sábio com vistas à pureza moral. É ela quem efetua comparações com padrões de moral que freiam o mal. A constante convivência com pessoas detentoras de elevada moral injeta na mente comportamentos, pensamentos, crenças e diretrizes que a treinam. Estudar e filosofar temas morais também contribui na sua boa edificação. Mas não é suficiente! É necessário querer e estar disposto em aceitar mudanças, orientações e advertências. Quando certa ação conflita com o padrão desenvolvido no condicionamento moral, soa o aviso de alerta ao inicio da contenda, empunha-se a consciência como escudo. Ela acusa e defende o homem do proceder que prejudica. Deixa de funcionar se estiver cauterizada, tornada insensível por inúmeros atentados que a desrespeitam. A consciência gera culpa e esta imobiliza a ação errada. A companhia de pessoas promíscuas e praticantes de atos atentatórios à moral prejudica seu bom condicionamento. É semelhante ao arrancar de terminações nervosas da carne que fica destituída de tato. A ação da pessoa passa a ser controlada pelo temor a castigos e não mais ao sentimento de culpa que imobiliza a ação do mal.
No Rito Escocês Antigo e Aceito o adepto recebe de herança cultural a direção que preconiza a obediência de caserna, disciplina marcial e rígida, influência de vetustas ordens de cavalaria e profissionais. A companhia de pessoas boas e disciplinadas auxilia no desenvolvimento de boa consciência. Razão da boa e criteriosa escolha de novos obreiros. Profano que não possui estatura mínima em sentido moral é impedido de entrar na Maçonaria, daí a importância de rigorosas sindicâncias. Uma vez iniciado, a convivência pacífica e amorosa entre os maçons proporciona a sintonia fina da consciência sensível e inteligente. Quem não treina a sua consciência faz de si um animal incapaz de ocupar-se de outra coisa, a não ser daquela do destino próprio dos animais.
Se a consciência do maçom está afinada com a moral, este pode até dispensar o livro da lei no altar dos juramentos. O detentor de boa consciência tem um livro da lei escrito no coração e na mente. Para o cristão, a bíblia judaico-cristã é símbolo da sua consciência. Representa espiritualidade e racionalidade de todo homem bom dotado de consciência voltada ao bem. Aquele que passa por transformação em sentido lato, reunindo em si bons princípios morais, éticos, religiosos, emocionais, físicos e espirituais tem o alicerce de sua consciência construído sobre a rocha. O maçom usa da inteligência para educar-se e afinar a consciência ao que ditam as leis naturais estabelecidas pelo Grande Arquiteto do Universo. Desenvolve e entende a mensagem contida na filosofia da Maçonaria, em cuja escalada peregrina ao interior de si. Trabalha a pedra por dentro nos exercícios de individuação tornando-se consciente do milagre da vida que o anima. E nesse seu mundo interior desenvolve acurada consciência, instrumento que o desculpa e acusa, diferencia entre bem e mal, percebe certo e errado.
Na história da Maçonaria observa-se que quando de parte de maçons ocorreu desobediência civil, aconteceram fatos que promoveram melhorias às sociedades humanas. Treinado a consciência o maçom desobedece tudo o que possa bloquear o exercício da liberdade responsável, o bom uso da liberdade com possibilidades de escolhas. O maçom obedece mais à consciência criada pelo Grande Arquiteto do Universo que às leis, dogmas religiosos e ideologias políticas. Parte do princípio que aceitar de forma passiva às leis injustas as tornam legítimas. A sua espiritualidade associada à sua boa consciência levam-no a caminhar conforme os elementos de seu projeto existencial onde não obedece a ordens que conflitam com a moral guardada pela consciência. Tem o dever juramentado de rebelar-se contra leis e dominações injustas. Cultiva e condiciona sua consciência para a ação orientada ao amor fraterno; aquele sentimento em ação que soluciona a todos os problemas de relacionamento e humaniza o homem. O treinamento da consciência é atividade permanente do maçom e é por isso que ele começa cada tarefa invocando a glória do Grande Arquiteto do Universo.

BIBLIOGRAFIA:
 1. ALMEIDA, João Ferreira de, Bíblia Sagrada, ISBN 978-85-311-1134-1, Sociedade Bíblica do Brasil, 1268 páginas, Baruerí, 2009;
 2. BAYARD, Jean-Pierre, A Espiritualidade na Maçonaria, Da Ordem Iniciática Tradicional às Obediências, tradução: Julia Vidili, ISBN 85-7374-790-0, primeira edição, Madras Editora limitada., 368 páginas, São Paulo, 2004;
 3. CAMINO, Rizzardo da, Reflexões do Aprendiz, Coleção Biblioteca do Maçom, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha limitada., 157 páginas, Londrina, 1992;
 4. RODRIGUES, Raimundo, A Filosofia da Maçonaria Simbólica, Coleção Biblioteca do Maçom, Volume 04, ISBN 978-85-7252-233-5, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha limitada., 172 páginas, Londrina, 2007.

Data do texto: 08/12/2011.

Sinopse do autor:
Charles Evaldo Boller, autor, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 62 anos de idade.
Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná.
Rito: Rito Escocês Antigo e Aceito
Local: Curitiba.
Grau do Texto: Aprendiz Maçom.
Área de Estudo: Comportamento, Consciência, Educação, Espiritualidade, Filosofia, História, Liberdade, Maçonaria, Política.

Extraído de:

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quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

HUZZÉ, A ORIGEM DA ACLAMAÇÃO ESCOCESA
Luiz Sergio Castro


Na maçonaria brasileira, os irmãos praticantes do REAA (Rito Escocês Antigo e Aceito) estão bem familiarizados com a tripla aclamação Huzzé, utilizada na abertura e no fechamento dos trabalhos, mas a sua origem é um pouco duvidosa devido a confusão de teorias criadas por escritores que talvez não tivessem o acesso a tanta informação quanto temos atualmente, e com a facilidade que a internet nos proporciona.
Cito abaixo algumas teorias bem conhecidas sobre a origem da aclamação:

– Huzzé é derivada de uma palavra hebraica que significaria uma espécie de “acácia”, como símbolo de imortalidade;

– Palavra formada pela raiz O’z e sufixo Zé, significando “É minha força” uma alusão ao GADU;

– Origem espanhola – alguns dizem que Cavaleiros Templários que fugiram da França frente às perseguições do Rei Filipe e do Papa Clemente V e se refugiaram no sul da Espanha, uniram-se a população local para combaterem durante a guerra civil que assolava a região e a cada vitória eles gritavam a palavra Huzzé em celebração;

– Aclamação realizada para expulsar o “ar impuro”, mandando embora todo o negativismo que carregamos no dia-a-dia profano;

– Huzzé seria uma espécie de Hurra, como a aclamação Hip, Hip, Hurra;

Diante desta confusão, busco na história a origem e inserção desta prática na maçonaria.

Um pouco de história

Tudo indica que a aclamação Huzzé, deriva da palavra Huzza dos ingleses, onde a pronúncia com o tempo, criou a modificação na escrita.
O livro Essential Militaria de Nicholas Hobbes nos informa que nos séculos XVII e XVIII, Huzza era um cumprimento ou saudação usado pelos marinheiros, para homenagear quem embarcava ou desembarcava. Menciona também que a expressão era um grito repetido em uníssono, sincronizadamente, quando os marujos atuavam em conjunto para puxar os cabos das velas ou as amarras das embarcações.
Há relatos de que nos séculos XVIII e XIX, três Huzzas eram dados pela infantaria britânica antes dos disparos, como meio de ganhar moral e de intimidar o inimigo. Há quem diga que eram dois huzzas curtos seguidos de um terceiro, mais longo, dado durante a carga final.
Foi dessa forma, acreditamos, que o brado utilizado no REAA deve ter chegado aos marinheiros ingleses e depois, pelo fato da Inglaterra ser um país onde as atividades navais ocupavam grande destaque, passado ao resto da sociedade não só como exclamação de alegria e aprovação, mas também como designativo de união e atitude solidária. Disso, talvez, advenha sua adoção pela maçonaria.

Mas quando esta aclamação passou a ser utilizado pelos maçons?

William Preston, em seu livro Illustrations of Masonry, descreve com detalhes o evento ocorrido em 1753 na Escócia, no evento de lançamento da pedra fundamental do conjunto de edifícios chamados “The New Exchange of Edinburgh”, onde foi realizada uma procissão de 672 irmãos, que foi iniciada em frente a famosa Mary´s Chapel, em caminhada até o local onde seria lançada a pedra fundamental.
A procissão foi recebida por mais de 150 militares juntamente com uma companhia de granadeiros, em duas linhas, sob as armas, que escoltaram a procissão. Este fato foi de tão importância para os maçons, que o Grão-Mestre da Escócia, Lorde Carysfort, descreveu a honra de estar presente a tal acontecimento e ao realizar a cerimônia de lançamento da pedra fundamental, deu três pancadas na pedra com o Maço, seguido de três huzzas, provavelmente em homenagem aos militares ali presentes tendo visto a forte relação dos militares com a maçonaria.
Após alguns procedimentos do evento, o Grão-Mestre proferiu a frase “Que a mão generosa do céu abasteça esta cidade com abundância de milho, vinho, óleo e todas as outras conveniências da vida! Huzza, Huzza, Huzza!!!”.
Outro livro descreve a utilização da aclamação na Escócia ainda no século XVIII, geralmente em lançamentos de pedras fundamentais. A obra escrita William Alexander Laurie em 1804, sob o nome “The history of free masonry and the Grand Lodge of Scotland” cita que a prática militar de aclamar três Huzzas juntamente com o tocar de trombetas, diversas vezes foi realizada para recepcionar os maçons nos eventos.
O escritor inglês John Dunton, no livro “Cartas da nova Inglaterra”, registra o costume militar de se saudar autoridades com gritos de Huzza, muito comum entre os militares ingleses e escoceses. Huzza era o grito de guerra usado pelas tropas da marinha inglesa, bem como a do corpo de granadeiros.
Em 1778, para celebrar a aliança realizada com a França, o general George Washington diz ao seu exército: “Huzza, Viva o rei da França, Huzza, Vivam os amigos das potências europeias, Huzza, Viva o Estados Unidos da América”.
E finalmente, o exército Inglês faz uso dessa expressão (Huzza) em uma canção de marcha dirigida contra os franceses:

“And, Monsieurs, you’ll find us as good as our words:
Beat drums, trumpets sound, and Huzza for our King!
Then welcome Bellisle, with what troops thou canst bring!
Huzza! for Old England, whose strong-pointed lance
Shall humble the pride and the glory of France.”

Observando a aclamação nos rituais
Embora a aclamação Vivat, Vivat, Vivat, já apareça em 1737, com a divulgação de “La réception d’un Frey-Maçon” e no rito adohiramita com o “Recueil Precieux de la Maçonnerie Adonhiramite”, o triplo Huzzé e suas variantes não aparecem nos documentos do século XVIII.
Nas primeiras divulgações como o Maçonaria Dissecada (1730) e o Três Batidas Distintas (1760), apesar de aparecerem os três golpes de malhete na abertura dos trabalhos, não faz referências a aclamação.
Somente em 1804, no “Guia dos Maçons Escoceses”, também chamado de “Livro dos três graus simbólicos do rito antigo e aceito”, que a tripla aclamação surge na abertura e fechamento dos trabalhos da loja, neste momento escrito como “Houzze”.
Depois, em 1813, no livro “Tuileur de l’Écossisme” de Delaulnaye, novamente é registrada a utilização da aclamação escocesa (Houzze) na abertura da loja.

Conclusão

Estou convencido que a tripla aclamação escocesa foi inserida na maçonaria por influência dos militares e dos eventos ocorridos no século XVIII e descritos acima, era muito comum o alto escalão militar estar composto por maçons que ocupavam também cargos de importância na administração da maçonaria. O Huzzé foi usado inicialmente como uma exclamação de alegria e comemoração, simples assim, sem invenções e significados mirabolantes.
Bibliografia:
Illustration of Masonry – William Preston
The history of free masonry and the Grand Lodge of Scotland – William Alexander Laurie
Essential Militaria – Nicholas Hobbes
Tuileur de l’Écossisme – Delaulnaye

Por Ir.'.  Luciano Rodrigues


quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

SOCIEDADES SECRETAS – MAÇONARIA E O PERÍODO DITATORIAL

NOTA INTRODUTÓRIA

Curiosidades - Você sabia que Getúlio Vargas mandou fechar a Maçonaria Brasileira?

Para quem conhece um pouco da Ordem, sabe que absolutismo e ditadura nada tem haver com nossos ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Getulhão sabia disso também! Pois bem, o historiador e nosso Irmão Frederico Guilherme costa em seu livro “A Trolha na Universidade” no capítulo 34, publicou uma ata da Loja “Fraternidade de Santos” de 1º de fevereiro de 1938 que reproduzirei parte dela a seguir para contextualizar a informação acima.
“Levando-se em conta a situação da loja e seu patrimônio, os Obreiros deliberaram, entre outras medidas o seguinte:
a)      – Considerando, que a Comissão Executiva do Estado de Guerra, nomeada pelo Exm° Sr. Presidente da República, deixou uma ordem mandando fechar o Grande Oriente do Brasil, os Grandes Orientes dos Estados e todas as Lojas maçônicas do país;”
Diante do exposto, acredito que a Maçonaria com seu currículo de lutas contra a tirania pelo mundo, deve ter deixado o Getúlio desconfortável, levando o mesmo a tomar a atitude de fechar nossa Augusta Fraternidade a fim de evitar futuras ameaças.




SOCIEDADES SECRETAS – MAÇONARIA E O PERÍODO DITATORIAL

A maioria dos maçons apoiou inicialmente o golpe, em um contexto que a situação do país era caótica. Castellani ainda afirma que o apoio da Maçonaria se deu devido à intenção do presidente de dar um rumo ordeiro à nação e devolver o governo aos civis, fato que não ocorreu devido a influencia da ala radical do exército. Ao contrário do Estado Novo, período ditatorial em que o Presidente Getúlio Vargas mandou fechar quase que todas as lojas maçônicas, o governo instaurado em 64 praticamente não repreendeu a instituição maçônica, de fato, o autor ressalta que era a própria Maçonaria que expurgava os membros considerados radicais. Além disso, existiam aproveitadores na ordem que usavam da tendência política dominante para perseguir outros maçons considerados adversários e os acusá-los de serem comunistas.
Este clima tenso fez que com que pessoas de destaque como o secretário de cultura sofressem pressões da ordem e fossem julgados como “pessoas de esquerda”, portanto, inadequados de pertencerem à Maçonaria. A partir de 1968 o sistema ditatorial começou a ficar mais repressivo. Artur da Costa Silva era o presidente do período, o congresso foi fechado e foi instaurado o Ato Institucional n° 5(AI 5) que acabava com várias garantias institucionais e jogava o Brasil em um período de muita censura e repressão. Devido á tensão da época, a atividade maçônica começou a diminuir se restringindo a fatos administrativos internos. Castellani afirma que no dia 24 de junho de 1969, o Grão Mestre Geral Moacir Arbex Dinamarco escreveu no seu relatório geral a seguinte mensagem: “(…) Demonstramos o pensamento da Maçonaria sobre a relevância do papel das forças armadas na defesa do regime democrático. Não nos acomodamos quanto à crise estudantil e, em declaração incisiva, colocamo-nos como mediador da mesma, procurando serenar o episódio”. Apesar de o Grão Mestre Moacyr afirmar que defendia um regime democrático, ele fazia exatamente o oposto, defendendo em nome da Maçonaria, um regime ditatorial.
Depois de Costa e Silva, o Brasil foi governado por Emílio Garrastazu Médici, que inaugurou a época mais dura e repressiva do regime. Essa época foi marcada por dissidências dentro da Maçonaria, em partes causadas pelo aumento do número de maçons contrários à ditadura militar. Em 1973 ocorreu uma cisão na Ordem Paulista, que ficou conhecido como “Cisma Paulistinha”, esse evento foi causado basicamente por disputas políticas internas referentes às sucessões de cargos maçônicos.
Depois da Era Médici, o general Ernesto Beckmann Geisil assumiu o controle do regime, e foi o principal responsável pelo início da lenta e gradual abertura política do país. O auge do apoio institucional da Maçonaria aconteceu no dia 15 de março de 1974, quando o presidente Geisel recebeu em audiência, o Grão Mestre Geral Osmame Vieira de Resende e o seu Adjunto o senador do partido situacionista Osíris Teixeira. No referido evento, Teixeira leu um ofício que reafirmava o apoio do Grande Oriente ao governo instaurado em 1964. De acordo com Castellani esse evento se fez sem consulta ao chamado “povo maçônico”, que desiludido e não percebendo a volta do regime democrático, já não apoiava, em sua maioria, o regime vigente.
Em 1979, João Batista Figueiredo assumiu a presidência, em um governo que se caracterizou por atitudes menos repressivas. No dia 28 de agosto, o presidente sancionou a lei de anistia, que foi promulgada no dia 1º de novembro. A Maçonaria apoiou a lei da anistia, apesar de haver maçons que não concordaram com essa ideia. A instituição também apoiou as eleições diretas para presidente no ano de 1984, o que de fato não ocorreu, visto que alguns grupos políticos queriam manter-se no poder. Pela via indireta foi eleito Tancredo Neves, que morreu antes de tomar posse, sendo assim o cargo foi entregue a José Sarney. Sarney conduziu o país em um regime impopular e marcado pela alta inflação, mas que entraria na história por ter sido o primeiro governo civil depois de duas décadas de ditadura militar.

Texto: Marcus Vinícius Galindo

Saiba Mais:

·         ALMERI, Tatiana. Raízes Secretas. In: Sociedades Secretas: Maçonaria,
Illuminatis, Cavaleiros Templários. Direção: Sandro Aloísio. Ed: Escala. São
Paulo, 2009. P. 104.
·         CASTELLANI, José. A Ação Secreta da Maçonaria na Política Mundial. Ed:
Landmark , São Paulo. 2007

Extraído de : http://monicanobrega.com.br/sociedades-secretas-maconaria-e-o-periodo-ditatorial/ 


sábado, 26 de novembro de 2016

RETORNANDO AO EIXO




RESILIÊNCIA: A capacidade do indivíduo construir-se positivamente frente as adversidades. 






“Mas, se a sociedade não pode igualar os que a natureza criou desiguais, cada um, nos limites da sua energia moral, pode reagir sobre as desigualdades nativas, pela educação, atividade e perseverança”.                               (Ruy Barbosa)


Não existe discípulo igual ao mestre, todo aquele, porém, que for bem instruído será como seu mestre”. Nessa instrução contida no Evangelho de Lucas 6:40, podemos claramente ver a necessidade de instruirmos para sermos constantemente lapidados.
Sabemos que nos dias atuais vivemos em uma concorrência constante com as facilidades, sejam estas promovidas pelo avanço tecnológico, seja pelo sentido putrefo do termo, ou seja, se dá um jeitinho para tudo. Desse modo, questionamos como devemos nos portar sem sermos passados para trás, ou o que fazer para não ser prejudicado pela pesada mão da falta de ética, ausência da sã moral, ou a falta de profissionalismo que envolve grande parte dos jovens viventes em um período imediatista. Voltemos ao dia de nossa iniciação, “-Não vos assustem essas espadas voltadas para vós!... Pela direção que tomam, são a irradiação intelectual que cada Maçom, de hoje em diante, projetará sobre vós...”[1], deste trecho podemos extrair  que os maçons mais experientes naquele momento emanaram sobre o iniciado as benesses da Arte Real, devendo portanto o iniciado, o novo maçom, debruçar-se as práticas do agir nos ditames da razão e assim, gradativamente ser treinado com finalidade de chegar a plenitude maçônica em condições de prever dentro de probabilidades situações nas quais possa se ver envolvido, sabendo como agir quando a situação puder tomar um viés diverso do pretendido.
O fato, dificílima é a tarefa de nos mantermos calmos a frente de adversidades, mas temos que entender isso como necessário, e criar diante as pequenas frustrações um método para treinarmos nossos espíritos para uma situação realmente dificultosa.
E a esta conduta que nos encoleriza chamaremos de humor, mas um humor maldoso, nefasto ou mesmo vingativo pueril.
Um grande talento nunca se rende às alterações de humor nem permite que seu temperamento peculiar corra cegamente[2]. Ergue-se acima de tão vulgar falta de compostura. Um dos grandes efeitos da sabedoria é autorreflexão o que entendemos por V\I\T\R\I\O\L\, quando conseguirmos reconhecer a presente disposição, conseguiremos realmente dominar nossos espíritos, vencendo os humores e não se arrastando tiranicamente de uma loucura para outra.
Ao exercitarmos a previsão de consequências lógicas, conseguiremos afastar esse humor, pois esse humor nefasto que nos toma e nos cega nada mais é do que uma indisposição do Espírito tacanho que se aloja em cada um de nós, mas os sábios, há! Sempre os sábios, estes se comportam perante esta doença como se esta fosse uma doença física. As pessoas doentes condenam o elixir sublime como bebida de forte amargor, mas o pensamento corrige-as e assim devemos nos policiar para corrigir nossos maus humores, dando livre passagem ao nosso temperamento básico, trata-se de aplicarmos a técnica da emoção oposta, a fim de equilibrar as escadas da prudência. Neste sentido, toda vez que for tolhido de um direito, buscará a forma racional e justa de reavê-lo, não se pode deixar-se levar pela síndrome do “talião” olho por olho; quando aviltados e instigados a sairmos de nossa emoção, sermos frívolos bastante para mantermo-nos serenos e não alterarmos o status quo, retribuir a ofensa com sorriso e entender que aquele que nos ataca não possui argumentos, motivo pelo qual tenta nos rebaixar ao seu nível. Esta é a hora de voltar à prancheta.
Passados alguns anos tivemos a satisfação de ouvir a apresentação do Trabalho de 3ª Instrução do grau de Aprendiz, elaborada pelo Irmão Marcelo Silva, o noviço sabiamente ensinou a todos nós ao concluir que “Todos os dias, e em todos os momentos invocamos a presença do G\A\D\U\ para que nos guarde e guie com a luz da verdade e sabedoria divina, nós Maçons a cada dia aprendemos mais sobre nossas virtudes, e qualidades dos seres humanos, e trabalhamos duramente para adquirirmos a cada dia o de melhor de todos os sentimentos existentes, buscando no nosso passado os erros e acertos e transformando a saudade em esperança de mudança[3]. Ficando demonstrada na brilhante peça de arquitetura a importância de nos renovarmos e de ensinarmos seriamente aos nossos iguais, um pouquinho daquilo que aprendemos, a final as qualidades dos seres humanos nem sempre são louváveis, e não sendo eles obrigados a entenderem isso, a nós nos cabe essa obrigatoriedade, e assim ensinando pelo exemplo e pela doutrinação.
Sathya Sai Baba na obra Krishna e a Arte de Liderar ensina que “Os alicerces do contentamento devem surgir da mente, e aquele que tiver tão pouco conhecimento da natureza humana a ponto de procurar a felicidade modificando qualquer coisa que não sua própria disposição, desperdiçará sua vida em esforços inúteis e multiplicará as mágoas que tenciona remover[4]. Demonstrando que às vezes devemos mudar de estratégia, rever os conceitos e posicionamentos que adotamos para assim alterarmos todo um sistema viciado e corrompido.
  
CONCLUSÃO
Ao estabelecermos em nossas vidas o V\I\T\R\I\O\L\, estaremos automaticamente revendo as estratégias para nosso dia a dia, assim conseguindo prever os possíveis óbices, desse modo, faz-se necessária a colocação de limites aos nossos desejos, os seja, invés de desejar destruir, ou que os problemas que nos rodeiam sejam afastados, devemos ser resilientes e como ensinado pelo Mestre Ruy Barbosa “nos limites da sua energia moral, pode reagir sobre as desigualdades nativas, pela educação, usando portanto dos ensinamentos adquiridos dentro do Templo Maçônico e aplicarmos a todos que nos cercam, assim construindo não apenas  o nosso templo interior, mas também estaremos assentando com a argamassa mística da Moral cada tijolo da grande fortaleza da ética e das boas práticas.
O Conhecimento representa a peça fundamental para o desenvolvimento coordenado e seguro. O homem, desde seu surgimento, busca verdades e confirmações que sempre estiveram ao seu alcance. Bastando, para alçá-las apenas o olhar introspectivo.


BIBLIOGRAFIA
·         Ritual do Aprendiz Maçom GLESP-2006
·         DA CAMINO, Rizzardo. Simbolismo do Terceiro Grau. Madras Editora Ltda. São Paulo, 2006.
·         CHIBBER, Dr. M.L. Krishna e a Arte de Liderar. Do original: Leadership – Book for Yout, Parents and Teachers. Fundação Sri Sathya Sai Baba do Brasil. Madras Editora Ltda. São Paulo, 2003.
·         GRACIAN, Baltasar. Espelho de Bolso para Heróis. Original: A Pocket Mirror for Heroes. Edições Temas da Actualidade, S.A. Lisboa / PT, 1996.
·         DA SILVA, Marcelo. Terceira Instrução de Aprendiz Maçom. ARLS Cavaleiros do Hermon – 335 GLESP. São Paulo, 2010.

Rogo ao G\A\D\U que à todos Ilumine e Guarde, Fraternalmente:                                          
                                                 

Ir\ EUCLIDES CACHIOLI DE LIMA
Past-Master


Or\De  São Paulo, 25 de novembro de 2016 ( E\V\)




[1] Ritual do Aprendiz Maçom, pg. 55 – REAA – GLESP - 2ª Edição, Janeiro, 2006.
[2] Espelho de Bolso Para Heróis, pg. 13.
[3] Marcelo Silva – 3ª Instrução do Grau de Aprendiz. Outubro de 2010.
[4] Sathya Sai Baba – Krishna e a Arte de Liderar. Pg. 115 – Citando Peter F. Drucker, Effective Executive, Pan Books London.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

A PARÁBOLDA DO PASTOR E O FIEL


As parábolas sempre ilustram com muita força e até com certa dramaticidade os ensinamentos morais. A frequência dos irmãos aos trabalhos é um dos itens constantes de todas as pautas das reuniões.        
Há os que não vão aos trabalhos da oficina, porque acham que a mesma nada mais tem a lhes ensinar. São os presunçosos. Se forem telhados, não sabem fazer o sinal de Aprendiz. Há os que não vão à Oficina porque acham que as reuniões se tornaram desinteressantes e monótonas. Estes fazem parte daquele grande grupo que entraram para à Maçonaria, mas a Maçonaria não entrou neles. Acham as reuniões desinteressantes mais nada fazem para torná-las melhores. São os reformistas e críticos de palavras, nada fazem porque faltam-lhes luzes para fazer, ou porque são egoístas, não querem dividir os seus conhecimentos, quando raramente possuem algum, são os verdadeiros inoperantes da Ordem.  
Os argumentos, de todos os grupos de faltosos, são extremamente frágeis e na realidade se baseiam, também com a Maçonaria em três colunas, ou melhor, três antes coluna: a ignorância, o desinteresse e o perjúrio. Ser perjúrio não é somente quem revela os nossos segredos Iniciáticos, mas também é perjúrio aquele que não cumpre com as obrigações contraídas para com a sublime Ordem no Cerimonial da Iniciação.
Outro dia encontramos um destes pseudo irmão e perguntei-lhe: por que não tens mais ido à Loja? - ao que ele me respondeu de pronto: para que, só para bater malhetes? - Então lhe repliquei: sabes o que significa "bater malhetes"? - Ele se coçou todo, gaguejou, desculpou-se e se escafedeu-se deixando atrás de si a poeira ofuscante da sua ignorância.
Aprendemos com um Mestre, a quem respeitamos e admiramos uma parábola que vamos aqui tentar reproduzir aos irmãos.           
Londres, fria, úmida, nevoenta e cinzenta, havia num bairro um templo religioso, possivelmente Anglicano, no qual pregava um mesmo pastor há mais de vinte anos. E os Londrinos, como os ingleses de um modo geral, são extremamente tradicionalistas e naquele Templo, vinham fiéis das redondezas, sempre os mesmos, sempre ocupando os mesmos lugares, a sucessão de cada semana e desta forma todos já se conheciam pelos nomes conforme devem ser os Maçons em Loja.  
Num certo final de semana, o pastor notou ausente, uma cadeira que estava vazia e era a cadeira de um dos mais assíduos fiéis.
O pastor preocupou-se, mas passado o culto, o fato foi esquecido, absorvido que foi o pastor pelas suas outras atividades.     
Nova semana, novo culto, e novamente a mesma cadeira vazia, o pastor perguntou aos fiéis: alguém viu o fulano, estaria doente, estaria acontecendo alguma coisa? - Ninguém soube responder.   
Na semana seguinte o fato se repetiu pela terceira vez e o pastor, após o culto resolveu visitar o fiel.     
Chegando lá, encontrou-o à beira da lareira, em frente ao fogo. Então o pastor lhe perguntou:
- Estás doente?O fiel lhe respondeu:- Não, estou muito bem de saúde.E o pastor replicou:- Estás com algum outro problema?O fiel lhe respondeu:- Não, não estou com problema nenhum, muito pelo contrário, estou muito bem:Então o pastor lhe admoestou:- Mas não tens ido mais ao culto...Dito isso o fiel dirigindo-se ao pastor disse:
- Eu frequento aquele culto há mais de vinte anos, sento naquela cadeira, efetuo as orações e entoo os mesmos hinos, durante todo este tempo eu já aprendi tudo de culto, sei todo o livro do culto de cór. Então eu acho que não preciso mais ir lá, por isso não estou indo. Atônito, o pastor pensou um pouco, dirigiu-se à lareira, atiçou o fogo e de lá retirou a maior das brasas que se encontrava na lareira, colocando-a sobre a saleira de mármore da janela, ante o olhar curioso do fiel.          
A brasa, em questões de minutos, perdeu o brilho, se revestiu de uma túnica cinzenta, transformando-se em carvão e cinza, fora do convívio com as outras brasas.
O fiel levantou-se colocando as mãos na cabeça, disse:Por favor, homem para com isso, eu compreendi a lição.Doravante não mais faltarei ao culto.Tornando-se, a partir daquele dia, a cadeira, novamente ocupada.    
Meus irmãos, os Maçons são como as brasas, para manterem a luz dos conhecimentos, o calor da fraternidade e a chama do ideal, necessário é, que estejam no convívio permanente das outras brasas.      
Não faz Maçonaria fora do Templo. A Maçonaria que se pratica na vida profana é uma obrigação do iniciado e é reativada à cada Sessão, como uma espécie de bateria que precisa ser recarregada.          
Se algum irmão acha que nada mais tem aprender, então ele dever ter atingido a Gnose perfeita e é chegado o momento dele começar a ensinar.

Bibliografia: ENTRE O ESQUADRO E O COMPASSO
IRMÃO WALTER PACHECO JR


terça-feira, 9 de agosto de 2016

O SEGREDO DA MAÇONARIA

Por João Anatalino


A lenda da Palavra Perdida 
A Lenda da Palavra Perdida é uma alegoria cabalística, provavelmente criada pelos autores gnósticos dos primeiros séculos da era cristã. Ela tem como tema central a crença no poder do Nome Sagrado de Deus e que este era um segredo iniciático da maior relevância. Embora os sacerdotes da religião judaica já trabalhassem com esse tema desde os primórdios da adoção do Javismo como religião nacional, foi, entretanto, com o entrelaçamento das crenças judaicas com a filosofia grega, que o tema ganhou maior relevância e passou a integrar o conjunto das alegorias que davam corpo á doutrina que nós hoje conhecemos como gnosticismo.
Na Maçonaria o simbolismo que envolve o Inefável Nome de Deus é um tema de grande importância iniciática. De uma forma geral, os maçons adotaram a tradição cabalística de que o verdadeiro significado desse Nome é um segredo guardado a sete chaves pelos Mestres da sabedoria arcana. Assim, os ritos maçônicos trabalham com a ideia de que os sons vocálicos originais do Tetragrama YHVH são interditos ao vulgo, e a pronúncia correta dessa palavra está confinada á sabedoria de muitos poucos escolhidos.   
Essa ideia está expressa na alegoria da Palavra Perdida, que é desenvolvida no ritual de alguns graus dos Ritos Escocês e do Arco Real através da Lenda de Enoque e as Duas Colunas de Bronze. Em resumo essa lenda diz o seguinte:

As colunas de Bronze
Enoque, durante um sonho que teve, foi informado que Deus tinha um nome secreto que aos homens não era lícito saber, porque se tratava de uma palavra de grande poder. Esse nome, Deus o comunicou aos seus ouvidos, mas proibiu que o divulgasse a qualquer outro ser humano. Nessa ocasião o Senhor o informou também sobre o castigo que iria ser lançado sobre a humanidade pecadora, através do dilúvio.
O Inefável Nome de Deus era a chave que poderia proporcionar aos homens todo o conhecimento secreto e um dia, quando fossem merecedores, ele lhes seria revelado. Mas para que essa Palavra Sagrada não fosse perdida após a catástrofe que destruiria a humanidade inteira, Deus instruiu Enoque para que a gravasse numa pedra triangular, numa língua só inteligível aos anjos e a ele próprio (a Cabala). Portanto, mesmo que alguém descobrisse um dia a grafia do Verdadeiro Nome de Deus, isso de pouco adiantaria ao seu descobridor, pois a pronúncia dessa Palavra Sagrada lhe estaria interdita.(1)
Antes do dilúvio havia sobre a terra civilizações bastante desenvolvidas em termos de artes e ciências. Era uma civilização bárbara, liderada por  homens gigantes, os filhos que os anjos caídos (os nefilins da Bíblia) tiveram com as filhas dos homens. Essa civilização era má, arrogante e descrente. Por isso Deus anunciou a Enoque que iria destruí-la. Para preservar os conhecimentos dessas antigas civilizações Enoque fez com que vários textos, contendo conhecimentos científicos, fossem gravados em duas colunas, e em cada uma delas esculpiu o nome sagrado. (2)
Uma delas era feita de mármore, a outra fundida em bronze. Essas colunas ele as pôs como sustentáculo em um suntuoso templo que mandou construir em um lugar subterrâneo, só dele e de alguns eleitos, conhecidos.  Esse templo tinha nove abóbadas, sustentadas por nove arcos. No último arco Enoque mandou gravar o Delta Luminoso, que simbolizava o Nome Inefável, e fez um alçapão onde guardou a pedra na qual ele havia gravado esse Nome.
Com o evento do dilúvio todas as antigas civilizações foram destruídas e seus conhecimentos científicos e artísticos perdidos. Noé e sua família, os únicos sobreviventes dessa catástrofe, nada sabiam dessas antigas ciências. Das colunas gravadas por Enoque, somente a de bronze pode ser recuperada pelos descendentes desse patriarca. Nela constava o Verdadeiro Nome de Deus, mas não a forma de pronunciá-lo, pois essa sabedoria estava escrita na coluna de mármore. Assim, essa pronúncia permaneceu desconhecida por muitos séculos, até que Deus a revelou a Moisés em sua aparição no Monte Sinai.
Mas Moisés foi proibido de divulgá-la, a não ser ao seu irmão Aarão, que seria, futuramente, o Sumo Sacerdote do povo hebreu. Deus prometeu a Moisés, todavia, que mais tarde o poder desse Nome seria recuperado e transmitido a todo o povo de Israel. Segundo a tradição cabalística isso só aconteceu nos tempos de Shimon Ben Iohai, o codificador da Cabala, mas nem todo o povo de Israel compartilhou dessa sabedoria, uma vez que ela continuou sendo transmitida apenas aos rabinos que atingiam os graus mais altos na chamada Assembléia Sagrada.
Segundo essa lenda, Moisés havia mandado que o Nome Inefável, com a pronúncia correta, fosse gravado em uma medalha de ouro e guardado na Arca da Aliança juntamente com as tábuas da lei. Dessa forma, o Sumo Sacerdote, em qualquer tempo, poderia compartilhar dessa sabedoria e invocar o Grande Arquiteto do Universo na forma correta. 
Esse era o segredo da Schehiná, ou seja, a estratégia segundo a qual Deus se manifestava ao povo de Israel, através da Arca da Aliança. Porém, a Arca da Aliança foi perdida em uma batalha que os israelitas travaram contra os sírios. Mas, guardada por leões ferozes, os sírios nunca conseguiram abri-la e mais tarde ela foi recuperada pelos sacerdotes levitas. Durante as batalhas que o povo de Israel travou contra os filisteus pela posse da Palestina, a Arca foi perdida mais uma vez, sendo capturada pelo exército inimigo. Os filisteus, que não sabiam do poder que tinham nas mãos, fundiram a medalha de ouro com o Nome Inefável e a colocaram num ídolo dedicado ao Deus Dagon.(3)
Esse foi um dos motivos pelos quais Deus instruiu Sansão para que este praticasse seu último ato de força no Templo dos filisteus em Gaza, matando um grande número deles. E dessa forma o registro escrito dessa Palavra foi perdido para sempre.
 Assim, durante longo tempo a forma de pronunciar o Nome Inefável ficou oculta, até que Deus o revelou a Samuel e este o transmitiu aos reis de Israel, Davi, e depois a Salomão.
Após construir o Templo de Jerusalém, (que reproduzia a forma e a estrutura do templo construído por Enoque, inclusive com os nove arcos, onde, no nono, se erguia o Altar do Santo dos Santos, no qual a Arca da Aliança estava depositada), Salomão determinou a Adoniran, Stolkin e Joaben a construção de um templo dedicado á Justiça. Estes, após escolher e cavar o terreno para a preparação dos alicerces verificaram que o lugar escolhido era exatamente o mesmo onde Enoque havia construído o seu templo. Após demoradas pesquisas e árduos trabalhos escavando as ruínas, descendo a diversos níveis subterrâneos, os mestres destacados por Salomão, sob o comando de Adonhiran, descobriram a coluna de bronze onde o sagrado Delta estava gravado. Foi essa coluna que serviu de modelo para Hiram fundir as duas colunas de bronze que ornavam o Templo de Salomão.
Dessa forma, o Verdadeiro Nome de Deus foi recuperado e pode ser transmitido ao povo de Israel na sua forma escrita, mas a sua pronúncia permaneceu um segredo compartilhado por poucas pessoas, pois a coluna de mármore, onde essa sabedoria estava inscrita, fora destruída pelo dilúvio. Somente Salomão, o Rei de Tiro e os três mestres que desceram ao subterrâneo detinham esse conhecimento, pois este lhes fora transmitido pelo profeta Samuel, antes de morrer. Com o desaparecimento daqueles personagens, ficou perdida novamente a pronúncia da Palavra Sagrada.

Os mórmons e a Lenda de Enoque
Esse é o conteúdo da lenda maçônica, que revela um conhecimento iniciático de grande relevância, pois o personagem Enoque não é exclusivo da tradição hebraica. Ele, na verdade, é um arquétipo presente na mitologia de vários povos antigos e cultuado como “mensageiro dos deuses” e arauto do conhecimento divino, transmitido aos homens na terra.

No Egito ele era associado ao deus Toth, que teria trazido aos homens o conhecimento da escrita, da metalurgia e da agricultura. Na Grécia foi conhecido como Hermes, o Senhor da Magia e da ciência. Na tradição celta havia um personagem análogo, que ficou conhecido na mitologia daquele povo como Merlin, o mago, guardião dos portais do conhecimento. Entre os maias ele foi Quetzacoatal, o civilizador, que trouxe para aquele povo o conhecimento que ostentava aquela antiga civilização.
Em todas essas tradições, o personagem aparece como guardião das chaves do conhecimento, que antigas civilizações ostentaram e perderam em virtude do mau uso que fizeram deles.
A lenda maçônica, tal qual ela aparece nos rituais, não será encontrada nos chamados apócrifos de Enoque. Ela provavelmente foi inspirada nos textos dessas obras, mas não consta textualmente delas. Vale registrar que ela encontra um curioso paralelo no Livro de Mórmon, onde um personagem chamado Mórmon, referido como profeta-historiador, invoca os conhecimentos de uma antiga civilização que teria sido a antecessora dos maias, astecas e incas, as grandes civilizações da América.
Um desses livros registra o ministério pessoal que Jesus Cristo teria desenvolvido junto aos povos americanos logo após a sua ressurreição, ensinamentos esses que teriam sido registrados por Mórmon, que os entregou ao seu filho Morôni, que por seu turno os ocultou em um monte chamado Cumora. Durante cerca de dezoito séculos esses ensinamentos, que haviam sido gravados em placas de ouro, ficaram perdidos. Mas em 21 de setembro de 1821 Cumôni teria aparecido a um maçom- profeta de nome Joseph Smith e mostrado o lugar onde as placas estariam escondidas. Depois ensinou ao mesmo Smith como decifrar e traduzir para o inglês os referidos escritos.(4)
Assim nasceu o Livro de Mórmon, Bíblia da Igreja dos Santos dos Últimos Dias. Trata-se, como se vê, de uma curiosa versão da lenda maçônica das Colunas de Enoque, e não é possível saber no que uma influenciou a outra. Considerando que tanto o profeta-historiador Joseph Smith, quanto seu sucessor no comando da Igreja mórmon, Brigham Young, eram maçons, bem como um bom número dos primeiros líderes dessa seita, pode-se especular que eles tinham conhecimento dessa fonte e a utilizaram para compor o seu curioso trabalho.

A Lenda de Enoque na Maçonaria
A lenda de Enoque, na tradição maçônica se refere ás viagens que o iniciando tem que fazer, a exemplo dos três Mestres de Salomão, para encontrar a Palavra Sagrada. Simbolicamente, para o maçom, essas viagens equivalem a uma descida dentro de si mesmo a fim de liberar a luz que existe dentro dele. Aqui temos novamente a evocação, tão cara aos gnósticos e aos alquimistas, da necessidade de encontrar “dentro de si mesmo” aquela energia que faz o homem integrar-se à divindade.
Diz a lenda maçônica que com a perda do verdadeiro significado, o Nome Sagrado foi substituído pelas iniciais IHVH, que depois de pronunciada é coberta com três Palavras Sagradas, três sinais e três palavras de passe; somente após o cumprimento desse ritual se chega ao Nome Inefável. De acordo com essa tradição, os cinco primeiros iniciados no grau de Cavaleiro do Real Arco foram os próprios reis Salomão e Hiram, rei de Tiro, e os três Mestres que descobriram o templo sagrado de Enoque. Um juramento de não pronunciar o Verdadeiro Nome de Deus em vão foi feito pelos mestres recém-eleitos, juramento esse que se repete na elevação ao referido grau.
Diz ainda a lenda que mais tarde outros Mestres foram admitidos nessa sabedoria, até o numero de vinte e sete, sendo a cada um deles distribuído um posto. Outros Mestres, que tentaram obter o grau sem o devido merecimento receberam o justo castigo, sendo executados e sepultados no subterrâneo onde a pedra gravada com o Nome Inefável fora encontrada.(5)  

A cristianização da lenda

Por fim, cabe considerar que a Maçonaria cristã se apropriou dessa lenda para aproximá-la da tradição associada com o magistério de Jesus Cristo. Essa transposição iniciática foi feita pelos adeptos da filosofia rosa-cruz, que incorporaram nela a mística da paixão, morte e ressurreição de Cristo. Assim, a Palavra Perdida passou a ser soletrada pelas iniciais da inscrição que Pilatos mandou colocar na cruz de Jesus: INRI, que na tradição rosacruciana designa as iniciais de uma de suas mais significativas metáforas.
Isso porque INRI é um acróstico da frase “Ígnea Natura Renovatur Integra”, que quer dizer “a natureza se renova pelo fogo”, metáfora alquímica que simboliza o processo pelo qual os alquimistas obtinham a pedra filosofal, ou seja, diluindo e recompondo a matéria prima da obra infinitas vezes até atingir a sua “alma”. Assim, Pilatos, na verdade, estaria revelando, nos dizeres colocados na cruz de Cristo, o processo segundo o qual nossas almas poderiam obter a salvação, ou seja, morrendo e revivendo infinitas vezes, até depurar por completo o “grão de luz” que constitui o seu núcleo. Dessa forma, o corpo de Jesus simboliza a “matéria prima” da Grande Obra de Deus.
Para os maçons, todavia, face á influência dos pitagóricos e dos gnósticos, a questão que está ligada ao Verdadeiro Nome de Deus exprime também as idéias que a Maçonaria tem de tempo infinito, espaço infinito, a vida infinita, enfim, todas as manifestações da essência divina na realidade universal, que são tanto adjetivas quanto substantivas. Explicando que nenhum dos nomes de Deus adotados pelo homem é considerado pela Ordem como certo e definitivo, a Maçonaria sugere que o Irmão apenas admita que Deus existe, mas não lhe dê nenhum nome nem tente conformá-lo á uma imagem, pois que esse conceito não pode ser reduzido á fórmulas que a mente humana pode desenvolver.
Esse postulado sugere ainda que o espírito humano está ligado á essência primeira e única de todas as coisas e não necessita de quaisquer outros canais de ligação com a Divindade, a não ser a sua própria consciência e a sua sensibilidade.
Assim, pode-se dizer que para a Maçonaria o simbolismo do Nome Sagrado está no ensinamento iniciático que ele veicula. Esse ensinamento nos diz que existe uma chave, uma palavra, um verbo, a partir do qual todas as coisas foram e são construídas. Essa palavra, esse verbo, se traduz peloInefável Nome de Deus, verdadeiro e único Principio Criador, imutável e apriorístico, de onde tudo emana e para onde tudo um dia retorna. É uma inspiração que vem do Evangelho de São João, onde se diz que no principio era o Verbo, o Verbo era Deus, e um Deus era o Verbo. Que ele estava no inicio com Deus e nada do que foi feito foi feito sem Ele, e tudo o que foi feito, foi feito por Ele.   Na doutrina joanista, esse Verbo, o Logos, é o atributo de Jesus Cristo, pois este, sendo o Filho de Deus, é feito da mesma essência do Pai e representaria a própria encarnação divina na terra. Assim, para os cabalistas cristãos, Jesus é a própria Shehiná, a manifestação divina no mundo.

A Palavra Perdida é o “Logos”
A Bíblia diz que quando Deus se apresentou a Moisés no Monte Sinai ele não disse qual era seu nome. Ele, conhecido pelos israelitas como oInominado, por ser absoluta potência, não tinha um nome que pudesse ser pronunciado por lábios humanos. Ele Era. Por isso Ele disse “Eu sou”, significando com isso que Ele era o Verbo Divino, a partir do qual tudo o que existe no universo toma forma e consistência. Ser é a qualidade essencial de Deus. Qualidade essa que Ele transmitiu aos homens quando lhes deu nome e consciência de si mesmos.
Porque todo verbo é uma potência a ser desenvolvida. E todo verbo, em si mesmo, não tem sentido nem significado se não tiver um predicado. Deus então criou o universo para que ele fosse o seu predicado, da mesma forma que os homens têm uma missão a cumprir, missão essa que os predica.
Isso significa que o Verbo, transmitido ao homem na forma do seu espírito, o fez senhor da criação terrestre. E como o homem aprendeu a articular “eu sou”, teve também que perguntar a si mesmo “o que?” E foi para responder a essa inquietante pergunta “eu sou o que?”, que ele também se viu obrigado a construir um predicado para si mesmo. Esse foi o detalhe que fez a diferença entre os homens e as outras espécies animais.
Por isso é que “ser é verbalizar”. Ser é dar sentido á existência, é ter uma resposta para a pergunta: o que somos nós? Em certos momentos da vida até podemos confundir o ser com “estar” ou “ter”. Mas estar vivo não é ser vivo, estar feliz não é ser feliz, e ter algo que se parece com vida ou felicidade não é ser realmente vivo e feliz. Ser é um estado de perfeita organização interior que não pode ser afetado por nenhum acontecimento exterior.
É nesse sentido que a Maçonaria adota como núcleo simbólico a procura da Palavra Perdida, alegoria que evoca o poder místico que o Verdadeiro Nome de Deus possui. A Palavra Perdida é o chamado Nome Inefável, cujo conhecimento confere ao seu detentor o supremo conhecimento, senha necessária, segundo as tradições gnósticas e cabalistas, para o homem possa entrar no céu, depois de subir todos os graus da Escada de Jacó. E nessa alegoria tipicamente cabalista está presente todo o conteúdo iniciático da proposta espiritual da Maçonaria. E na Maçonaria, como na Cabala, esse é o seu verdadeiro e único segredo.


NOTAS

(1) Na imagem, o Delta com o Tetragrama Sagrado.

(2) A Bíblia se refere aos três descendentes de Cain, Jubal, Jabel e Tubal-Cain como aqueles que iniciaram a civilização nas técnicas da agricultura, pastoreio e metalurgia.

(3) Conforme o ritual da Maçonaria.

(4)Foto de Joseph Smith, fundador da Igreja Mórmon. Fonte: veja.abril.com.br

(5) Aqui se encontra outra referência á Lenda de Hiram.