QUEM SOMOS

CAVALEIROS - alusão aos Templários, às Cruzadas e à Távola Redonda. HERMON - o termo remete-nos ao Monte Hermon, em cujo topo se forma a neblina que se condensa em forma de garoa, o orvalho consagrado pelo Salmo 133. Essa precipitação "tolda parcialmente o sol escaldante do sul do Líbano, e umedece seu solo, transformando-o numa das regiões mais férteis e amenas do Oriente Médio."

Nós Cavaleiros do Hermon, na constante busca para tornar feliz a humanidade, sob a égide do Grande Arquiteto do Universo, que é Deus, nos reunimos às sextas-feiras a partir das 20h00 , na Avenida Pompéia, 1402 - Templo Ir.'. Willian Bucheb - São Paulo - SP.

domingo, 7 de janeiro de 2018

ANCORA


ANCORA
Símbolo de uma Virtude Teologal


“Que toquem os sinos em nome da esperança 
Eterna criança que vive, brincando, no peito   
Dos homens que sabem da força que tem o respeito    
Para com os seus semelhantes, 
Na luta por seus direitos
Que traga a alegria o toque feliz deste sino      
E faça dançar nas ruas meu povo menino”.
Gonzaguinha

INTRODUÇÃO
Os símbolos que decoram uma Loja, independente do Rito ali praticado, conduz o construtor social através do esforço e dedicação à Beleza e à Perfeição. Esse construtor social, o maçom, representa em um primeiro momento o homem rude, pedra a ser desbastada, saído das cavernas escuras, que anseia habitar ambientes iluminados, simétricos e harmônicos. No entanto verifica o quão difícil é viver sem o preparo adequado para enfrentar os infortúnios da vida, longe da escuridão chamada ignorância.
Descobrir, conhecer, explorar, viajar em busca do conhecimento, é dúvidas ações satisfatórias, porém devemos ter em mente que o conhecimento deve ser muito bem formado. A ideia de o conhecimento ser algo perigoso não é algo recente. Vejamos o relatado em Gênesis, Adão foi expulso do paraíso após comer do fruto da árvore do conhecimento.
O Painel do Aprendiz trata da representação ideal de uma Loja Maçônica, com todos os símbolos reveladores dos ensinamentos necessários para o Grau de Aprendiz Maçom, é a grande codificação do conhecimento almejado. Identificar, traduzir, tais elementos é se preparar, com os cuidados necessários, para gradativamente adquirir conhecimento e assim enfrentar as dificuldades na vida maçônica e profana. Cada símbolo apresentado no Painel possui, sem dúvidas, profunda significação, muito mais eloquente do que meras palavras, muito mais ancestral do que qualquer filosofia.
Segundo Albert Galetin Mackey “Entre as várias maneiras de se instruir leigos, o estudioso da Maçonaria tem predileção por duas delas: as lendas e os símbolos. Quase absolutamente, tudo o que se sabe e o que se pode saber sobre o sistema filosófico ensinado na instituição se deve a isso. Todos os mistérios e dogmas que constituem sua filosofia são transmitidos ao neófito através de um ou outro método de instrução, às vezes, por uma combinação de ambos. Da Maçonaria – ou dos conhecimentos esotéricos da Ordem – só é possível o entendimento por meio de uma lenda ou símbolo”[1].
Logo, se temos predileção por lendas e símbolos, como diz o codificador dos LandMarks e estamos buscando conhecimento para lapidarmos nossa pedra bruta e nos fazermos verdadeiros Construtores Sociais, dediquemos o presente trabalho ao estudo de um dos símbolos existentes no Painel do Grau de Aprendiz Maçom, A Âncora.

O ESTUDO
Antes de iniciarmos qualquer estudo acerca da simbologia, temos de buscar entendimento do momento histórico no qual foi inserido o símbolo, ou ao menos ter em mente tal período. Ainda segundo Mackey existem questões obrigatórias a um investigador da verdade, as quais este deverá propor, bem no início da inquirição e que devem ser claramente respondidas antes mesmo que se compreenda o verdadeiro caráter da Maçonaria como instituição simbólica. É necessário saber um pouco a respeito de seus antecedentes antes de se poder apreciá-la.
Para chegarmos então ao objeto de estudo, A Âncora, precisamos entender outros conjuntos simbólicos, em especial o Painel de aprendiz utilizado em nossas Lojas (GLESP – REAA), onde se vê as três colunas e a Escada de Jacó, nesta insere-se nos degraus outros símbolos, dos quais está a âncora. O painel, segundo estudiosos, tem sua origem na Grande Loja Unida da Inglaterra e foi pintado por John Harris em 1825.
Sabemos então, que a origem é Inglesa e data de 1825; desta feita precisamos entender agora o que ocorria na Inglaterra na citada data e claro quem foi John Harris e suas influências.
Tirando os escritos maçônicos, nos quais constam assuntos acerca do Painel do Grau, não encontraremos facilmente notas biográficas de John Harris, ao menos esse do Painel.
Mas o mundo em 1825 passava por transformações e a Inglaterra era sem dúvidas o centro do mundo. Instalava-se a primeira ferrovia Inglesa; Sir Humphry Davy presidia a Royal Society; no Brasil, Portugal reconhecia após 3 anos a independência da colônia; Uruguai declarava sua Independência do Império do Brasil, independências lideradas por maçons.
Vemos então um fervilhar político e social no velho e no novo mundo, sempre encabeçados por irmãos influentes, os quais nem sempre estavam do mesmo lado. No entanto todos lutavam por um mesmo ideal, tornar feliz humanidade, claro, cada um dentro de seu ponto de vista.
Assim sendo, é natural que para simbolizar as ações e assim materializar tais ideais, inserindo-os não somente na mente dos mais experimentados maçons, mas principalmente nos neófitos, pois seriam moldados e mudariam a ordem em busca da unidade.
Com certeza Harris, inserido no cenário social, sabia que precisava trazer elementos que garantissem a unidade maçônica e ainda representassem os ensinamentos, mas que também trouxesse conforto aos que buscavam pelo conhecimento e lutavam por nobres ideais.
Daí entendo a razão de se inserir na escada de Jacó os símbolos das virtudes teologais: Fé, Esperança e Caridade (Amor).

A ANCORA
A âncora, símbolo da firmeza, da força, da tranquilidade, da esperança e fidelidade. Destarte, é a representação da estabilidade humana, ou seja, é capaz de manter-nos estáveis frente aos arreveses da vida, assim como real função não simbólica mantém a estabilidade das embarcações.
Possui também uma simbologia negativa, a âncora pode ser tida como a representação do atraso, ser o entrave, na medida em que se fixa em determinado lugar, não permitindo o próximo passo da evolução da consciência. Em sua simbologia mais clássica, a âncora é o último refúgio do marinheiro, ou seja, a esperança frente à tormenta que açoita as embarcações. Simboliza, nesse ínterim, o conflito entre a terra e a água, que deve ser porto a termo e desta forma, a terra e a água juntas fecundem em harmonia.
Aqui vale algumas reflexões, externadas durante discussões sobre o tema, feitas por irmãos. Ao falarmos sobre o aspecto negativo da simbologia deparamos com a questão dos grãos de areia que nos incomoda, sujam o local que foi limpo, porém, com o vento os grãos são levados para longe, assim como os problemas, basta apenas deixar o tempo resolver e este agirá como o vento limpando, levando para longe a areia. A areia seria a ancora que nos deixa estagnados, o vento seria o ato de recolher a ancora e permitir que a embarcação navegue[2]; ou seja simples atitudes como o passar do tempo podem nos devolver a paz.
Do mesmo modo, a embarcação que aportou em um local de mar com águas turvas, mesmo assim o comandante manda que se lançe a ancora,de certo muitos mormuram, “não deveríamos ter lançado ancora neste porto de águas sujas, porém o sábio comandante conhece o momento de parar de navegar, sabe controlar a ansiedade e assim, esperar as águas turvas serem levadas pelas ondas e pela correnteza; aportado o sábio tem a convicção que não irá navergar com as águas sujas, que é uma situação temporária, não deve se desesperar, pois no exato momento levantará sua ancora e poderá navegar em águas límpidas[3].
Tais pensamentos revelam que nem sempre a estagnação é prejudicial, esta se conscientemente empregada poderá ser uma excelente ferramenta de gestão. 
Voltando aos significados do símbolo em estudo.
Há outra representação que separa a âncora em duas partes: um semicírculo e uma cruz, este símbolo, recebe o nome de Cruz de Escora. O semicírculo trata-se da representação do mundo espiritual, enquanto a cruz (eixo central da âncora) é a representatividade do mundo material. Tal simbologia, âncora estilizada, conhecida como Cruz de Escora, serviu na antiguidade para ocultar o verdadeiro símbolo a Cruz dos Cristãos, protegendo da perseguição romana. Encontrar a Ancora era saber que ali poderiam ter um local seguro e assim a esperança em professarem tranquilamente suas crenças.


A ESPERANÇA
A Esperança é a virtude que nos ajuda a desejar e a esperar tempos de bonança em nossas vidas. Frequentemente, passamos por momentos difíceis não existir soluções para os infortúnios. A violência cotidiana é jogada massiçamente em nossos olhos pelos meios de comunicação, banalizando a vida e os bons hábitos.
É preciso mais do que nunca refletir sobre tudo o que está acontecendo, identificar a falha e buscar uma solução. Sozinhos, não somos nada, mas, unidos como verdadeiros Irmãos e sob a égide do Grande Arquiteto do Universo, tudo podemos. A esperança nos conduz identificar os óbices e vencer.

CONCLUSÃO

“…para que nós, que nos refugiamos no acesso à esperança proposta, sejamos grandemente encorajados por meio de duas afirmações imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta. Essa esperança é para nós como âncora da alma, firme e segura, a qual tem pleno acesso ao santuário interior, por trás do véu, ...”
(Hebreus 6:18-19)

A Esperança, cantada por Gonzaguinha, nos ensina a autopreservação diante as dificuldades, a nos mantermos estáveis, como a Âncora que a simboliza no meio da Escada de Jacó. Neste ínterim, o Maçom que se faz constante em seus propósitos, sempre empenhado nas causas justas, irá superar as dificuldades, alcançando êxito completo.
Portanto concluímos ser verdadeira a resposta à pergunta O QUE SIGNIFICA A ÂNCORA?    A âncora se traduz na esperança sugerida aos maçons, revelando a estes à segurança com que se alcançará os verdadeiros objetivos traçados na prancheta da vida.

BIBLIOGRAFIA
·         Ritual do Aprendiz Maçom GLESP-2006
·         Bíblia Sagrada – Almeida Revisada e Atualizada.
·         MACKEY, Albert G. O SIMBOLISMO DA MAÇONARIA / Albert G. Mackey. – São Paulo : Universo dos Livros, 2008. Tradução: Caroline Furukawa.
                                
                                             
Ir\ EUCLIDES CACHIOLI DE LIMA


Or\De  São Paulo, 01 de dezembro de 2017 ( E\V\)


[1] MACKEY, Albert G. O Simbolismo da Maçonaria / Albert G. Mackey. – São Paulo : Universo dos Livros, 2008. Tradução: Caroline Furukawa.
[2] SILVA, Nivaldo Ferreira.  Mestre Maçom da ARLS Cavaleiros do Hermon 335 – 1º Vigilante – 2017/2018.
[3] SILVA, Marcelo. Mestre Instalado da ARLS Cavaleiros do Hermon 335 – Venerável Mestre – 2017/2018. 

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

AMOR FRATERNAL, AMPARO E VERDADE



Escrito por: Kennyo Ismail

Você está vendo esses dois homens na foto? Essa foto foi tirada quando estavam em pré-operatório num hospital de Washington DC, alguns dias atrás. O barbudo, Richard, estava doando um rim para o careca, Christopher, que tem problema renal em estado terminal, já realizando três hemodiálises por semana. Eles não são parentes. Eles não são amigos de infância. Eles nem sequer se conheciam há poucos meses atrás. Christopher não está pagando pelo rim de Richard, que colocou sua saúde em risco, mesmo tendo duas filhas pequenas, para salvar a vida de um desconhecido. Sabe por que? Porque eles são irmãos. Sim. São irmãos maçons.
Há poucos meses, circulou em um blog maçônico norte-americano a notícia de que um irmão de Washington, de apenas 26 anos de idade, maçom dedicado à sua Loja, a “Colonial #1821”, da Grande Loja do Distrito de Columbia, estava na fila por um transplante de rim. Um irmão de 32 anos de idade, pai de família, que não conhecia Chris e nunca tinha ido a Washington, leu a notícia e fez contato, se voluntariando a fazer os exames de compatibilidade. Era Richard, Segundo Diácono da Loja “Golden Spike #6”, da Grande Loja de Utah. Após a confirmação dos exames, no último dia 09 de outubro as cirurgias ocorreram com sucesso.
Quando questionado sobre a razão de estar doando um rim para um desconhecido, Richard disse que, ao ler a notícia, de um irmão tão jovem necessitando de ajuda e solidariedade, apenas cumpriu com seu juramento. Assim, a tríade do lema maçônico original foi ilustrada, de forma sublime, na ação desse irmão, pois o amparo dado foi um verdadeiro ato de amor fraternal.
E você aí com preguiça até de ir pra reunião, né? A quantidade de graus que você tem é equivalente à quantidade de juramentos que você prestou. Mas se cumprir com maestria apenas o do grau de Aprendiz, já estará fazendo a diferença e colaborando para uma sociedade melhor. Não deixe que nossas cerimônias sejam apenas fórmulas vazias. Leve-as em sua mente e coração, usando-as para esquadrar suas ações.
Obrigado, irmão Richard. Você, com certeza, salvou bem mais do que a vida de um irmão. Seu nobre ato nos recorda da importância de nossa Fraternidade, pois para socorrer um necessitado não precisa ser maçom… mas para ser maçom precisa-se socorrer os necessitados. Em outras palavras, o que para os outros é uma opção, para o maçom é uma obrigação.


quinta-feira, 5 de outubro de 2017

ENTENDENDO O HINO DA MAÇONARIA


Escrito por

Da luz que de si difunde
Sagrada Filosofia
Surgiu no mundo assombrado
A pura Maçonaria

A Idade Média é considerada a “idade das trevas”, os “mil anos de escuridão”, pois a Igreja Católica impedia a evolução da ciência e controlava a educação, promovendo a submissão da razão em nome da fé. Após o fim da Idade Média, tem-se a Idade Moderna, na qual surgiram o Iluminismo e a Maçonaria. A Maçonaria é considerada, junto de outras instituições, a responsável pela difusão do ideal de livre busca da verdade.

Maçons, alerta!  
]
Tendes firmeza  ]     Refrão
Vingais direitos  ]
Da natureza       ]

Os “direitos da natureza” são os direitos naturais, defendidos pelos jusnaturalistas. Trata-se dos direitos considerados próprios do ser humano, independente de época e lugar. Entre esses direitos, destaca-se os direitos a vida, a liberdade, a resistência à opressão, e a busca da felicidade. Esses direitos foram, em outras épocas, tomados do homem através da tirania e do fanatismo. E cada maçom deve defendê-los.

Da razão parto sublime
Sacros cultos merecia
Altos heróis adoraram
A pura Maçonaria

A alegoria da caverna, de Platão, mostra o homem cego e acorrentado pelas amarras da ignorância, e ensina que a descoberta do mundo deve se dar de forma gradativa. O homem ao sair da caverna sofre como um recém-nascido quando do parto, mas ambos ganham um mundo novo. Após os anos de “mundo assombrado”, a humanidade assiste o nascimento da Maçonaria, uma Ordem cujos ritos cultuam a razão, retirando homens da caverna da ignorância e dando-lhes a luz de uma nova vida. Talvez por isso da Maçonaria ser berço de tantos heróis e libertadores.

(Refrão)
Da razão suntuoso Templo
Um grande Rei erigia
Foi então instituída
A pura Maçonaria

O grande Rei erigindo um suntuoso Templo da razão é o Rei Salomão, tido como possuidor de toda a sabedoria. E é da construção de seu templo que alegoricamente foi instituída a Maçonaria, visto ter na lenda dessa construção o terreno fértil para a transmissão de muitos de seus ensinamentos.  

 (Refrão)
Nobres inventos não morrem
Vencem do tempo a porfia
Há de séculos afrontar
A pura Maçonaria

“Porfia” significa “disputa”. Apenas as ideias nobres vencem a disputa contra o tempo. A Maçonaria, por sua nobreza de ideais, tem sobrevivido ao passar dos séculos, ao contrário de muitas outras instituições que sucumbiram diante do tempo, sempre implacável.

 (Refrão)
Humanos sacros direitos
Que calcara a tirania
Vai ufana restaurando
A pura Maçonaria

“Calcar” significa “pisotear”, “esmagar”, enquanto que “ufana” significa “orgulhosa”, “triunfante”. Em outras palavras, a estrofe diz que: a pura Maçonaria vai triunfante restaurando os sagrados direitos humanos que foram pisoteados pela tirania.

(Refrão)
Da luz depósito augusto
Recatando a hipocrisia
Guarda em si com o zelo santo
A pura Maçonaria
A Maçonaria guarda em si, com o devido cuidado, a luz da razão. Em seu interior, a hipocrisia vai sendo “recatada” (envergonhada), enquanto que a verdade é exaltada. A razão, duas vezes citada no hino, está diretamente ligada à verdade, esta o oposto da hipocrisia, pois não existe razão sem verdade, assim como a verdade só é encontrada com a razão

(Refrão)
Cautelosa esconde e nega
À profana gente ímpia
Seus Mistérios majestosos
A pura Maçonaria

A Maçonaria mantém seu caráter sigiloso e grupo seleto em proteção de seus augustos mistérios, para que aquelas pessoas ofensivas ao que é digno não possam alcançá-los.

(Refrão)
Do mundo o Grande Arquiteto
Que o mesmo mundo alumia
Propício, protege e ampara
A pura Maçonaria

E por fim, a Maçonaria é posta como instituição sagrada, da qual o próprio Grande Arquiteto do Universo é favorável, e por isso a protege.

(Refrão)

COMENTÁRIOS FINAIS:
Questão interessante sobre esse Hino, que recebeu o nome genérico de “Hino da Maçonaria” por não ter sido originalmente nomeado, é quanto a sua autoria. Várias fontes maçônicas o colocam como sendo letra e música de D. Pedro I. Não há documento algum que corrobore com essa teoria. Outras tantas fontes, inclusive o GOB, apontam o autor como sendo Otaviano Bastos, o que é impossível. O próprio Otaviano escreveu em sua obra “Pequena Enciclopédia Maçônica” que a música é de D. Pedro I, mas a letra é de autor desconhecido.
Há ainda outra questão relacionada ao hino e que merece atenção. Alguns escritores que se propuseram a interpretar o hino, ao se depararem com o termo “recatando a hipocrisia”, não compreendendo seu real significado, cometeram o gravíssimo erro de modificar a letra do hino para “recatada da hipocrisia”, de forma que o hino pudesse se encaixar devidamente aos seus entendimentos, em vez do contrário. Ora, imagine modificar a letra de um hino musicado por D. Pedro I, cujo valor histórico e maçônico é incalculável, para se alcançar a interpretação desejada… é o que podemos chamar de “estupro da história”.

CONSULTAS:
GUIMARÃES, José Maurício: Dissecando o Hino da Maçonaria. Portal “Formadores de Opinião” e Portal “Samaúma”.
RIBEIRO, João Guilherme da C.: O Livro dos Dias 2012. 16a Edição. Infinity.
RUP, Rodolfo: O Hino Maçônico Brasileiro. Portal Maçônico “Samaúma”.
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quarta-feira, 23 de agosto de 2017

POR QUE NÃO TENHO VONTADE DE IR À LOJA

POR QUE NÃO TENHO VONTADE DE IR À LOJA


Por: Ir\ EUCLIDES CACHIOLI DE LIMA
M\I\ -  ARLS Cavaleiros do Hermon 335
Del\7º Dist\– 7ª Região

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O peregrino em busca do conhecimento dispensa a viagem geográfica, aquela que se realiza no espaço físico deste pequeno planeta no qual habitamos.
A sua viagem é maior, e ela tem início no mais recôndito e obscuro grotão de nossa mente.
E prossegue pelos caminhos insondáveis da alma, alcança as grandes rotas do espírito e se finaliza no templo do coração.
A venda colocada em vossos olhos, vos fez refletir sobre as trevas, sobre quão profunda é a escuridão do espírito.
E a luz que vos foi dada, mostrou-vos o deslumbramento da nossa filosofia Maçônica.
Conhecedores agora do abismo existente entre a luz e as trevas, sobre isso agora deveis meditar.
O ensinamento aqui é simbólico, mas a conclusão deve ser prática.

Venerável Mestre Dr. José Jander Fernandes Costa – Discurso de Iniciação.

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Há algum tempo se é questionado nas reuniões semanais de muitas Lojas o motivo da ausência, da baixa frequência dos irmãos do quadro, rapidamente inúmeras respostas aparecem quase todas convergindo para a questão da monotonia das sessões, no entanto lembro-me que escrevi uma peça de arquitetura intitulada “A Falta de Compreensão e a Mácula ao Ideal de Fraternidade”[1], na qual encerro lançando no último parágrafo o seguinte, antes de questionarmos a Ordem e seus puros métodos de ensinamento, devemos aprender a nos respeitarmos, ensinarmos aos aprendizes mais valores e moral maçônica, ao invés de tentarmos passar teorias que sabemos de ouvirmos falar, contaminando assim a pureza de nossas instruções. Para que no futuro não digamos que não valeu a pena e que nada tem a se aprender. Eis que surgem novos questionamentos, como por exemplo, como poderá um mestre ensinar um Aprendiz ou Companheiro se ele mesmo não sabe a razão de fazer o que faz? Se ele mesmo não adquiriu o mínimo de conhecimento sobre a doutrina Maçônica, não por sua culpa e sim devido a um sistema falho decorrente do momento imediatista que se encontra a sociedade como um todo, não conseguindo, portanto multiplicar de madeira adequada os ensinamentos outrora recebidos. Diante de tal dilema inicia-se a reflexão de como agir e assim reverter ou amenizar situações que possam trazer prejuízo para as atividades da ordem.
Estudando a obra PORQUE FAZEMOS O QUE FAZEMOS[2], aflições vitais sobre trabalho, carreira e realizações, de Mário Sérgio Cortella, voltado para a vida profissional, vislumbrei uma possível aplicação prática para entender, ou fomentar a discussão sobre a necessidade de incentivar maçons a serem mais atuantes nas atividades em Loja, sem no entanto permitir a ação de um daninho espirito inovador, perigoso aos pilares da pura maçonaria.
A tônica, porque fazemos o que fazemos, transmuta para, por que não tenho vontade de ir à Loja, e assim tentar fomentar a discussão filosófica sobre uma questão que pode afligir algumas oficinas.

Por que não tenho vontade de ir à Loja

a)        Sinal evidente de cansaço: decorrente das atividades exercidas no mundo profano, inúmeros compromissos e atividades que ao final do dia resultam na fadiga do indivíduo;
b)       Não enxergar mais a razão de estar em Loja; evidente sinal de estresse, decorrente do excesso de compromissos e do imediatismo cobrador de resultados, o que por si só fere os princípios dos ensinamentos maçônicos em especial o da Tolerância. 

É necessário ainda evitar levar uma vida banal, onde o agir se dá de modo automático, robotizado. Temos de ter a consciência do motivo de estarmos ali, entender a filosofia por trás da Ritualística.
Como disse o Barão de Itararé[3]: A única coisa que você leva da vida é a vida que você leva”. Neste sentido, deve o agente questionar sobre qual o propósito ele deve colocar diante de si mesmo, pois infelizmente muitos iniciados desejam encontrar na instituição algo que ultrapasse o conhecimento filosófico e moldador (aperfeiçoamento) do caráter.
É na verdade a ação alienada do iniciado, dentro de um conceito estipulado por Hegel, em uma interpretação de Cortella, tudo aquilo que eu produzo, mas não compreendo a razão[4], um bom exemplo, o maçom, independente de seu grau, receba as devidas instruções, elabore seus trabalhos entretanto o faz de modo automatizado, sem entender o porquê faz; isto é, os trabalhos e instruções, são ferramentas de um sistema que faz a atividade em Loja acontecer, sendo incapaz no entanto de decidir o destino da própria ação.
Esse trabalho constante, repetitivo, autômato[5], sem o entendimento filosófico do sistema empregado, ainda citando Hegel, alienado, acarretará em desconforto no iniciado, que por vezes não possui o suporte de seus mestres, ocasionando em consequências funestas para a Ordem como um todo.
Uma boa ferramenta, dentro de um conceito simbólico, para o trabalho é o sextante[6], que nos permite fracionar e assim medir, ou gradar nossas ações, adquirindo um conhecimento mais lento, porém mais profundo daquilo que fazemos. Ou seja, como nos ensina Cortella reconhecimento é uma questão-chave nessa buscapor sentido. Eu preciso reconhecer nas atividades que exerço, usando um termo de Hegel, isto é, devo objetivas a minha subjetividade. Devo fazer uso da Régua de 24 polegadas, para medir meu tempo e assim, sendo minha vida subjetiva um grande mapa para uma viajem, portanto não afastando-me um pouco da figura do construtor, utilizarei do sextante, fracionando esse mapa e assim esmiuçar cada trecho dessa viajem chamada de lapidação da pedra bruta, de modo a melhor aproveitar minha capacidade e assim não ser só mais um autômato.
O trabalho repetitivo em nossos rituais não nos torna ou nos obriga a sermos autômatos, ao contrário, força-nos à busca pelo entendimento e aplicação do absorvido em nossas práticas diárias. O filme de Charles Chaplin TEMPOS MODERNOS, ensina exatamente esse aspecto; Chaplin está em uma linha de produção e acaba por ser enveredar por entre as engrenagens da máquina. Ocorre que, ele não é esmagado pelas engrenagens, ao contrário, se contorce e passa livremente concluindo seu ofício; a máquina aqui é o trabalho, em qualquer área; as engrenagens são a rotina que sempre estão ali, ajudam a desenvolver o produto; sobre outro prisma, isso bem diverso do exposto na visão de Cortella, comparo a máquina com a Maçonaria Universal, as engrenagens são os diversos Ritos e Graus, Chaplin é o Aprendiz, Companheiro ou Mestre, que se instrui, suas ferramentas são os instrumentos de trabalho e pesquisa. Ele não é um autômato, pois passa, se envereda pela Máquina, a Maçonaria Universal, desliza entre suas engrenagens, seus diversos Ritos, porém não se deixa esmagar, como um homem livre e de bons costumes percorre e conclui sua missão, o trabalho sai a contento.
Ainda na análise da obra de Charlie Chaplin, mesmo em um momento crítico, quando a esteira da linha de produção para, ele continua a produzir, nesse momento mais similar a um autômato, porém como dito, não se deixa vencer pelo sistema, se esforça, contorce-se entre as engrenagens para superar os revezes e concluir a obra. Claro que tal alegoria pode e deve ser vista sob óticas diversas.

Porque devemos manter a tradição

É incontestável que a modernidade, o avanço tecnológico, é algo sem volta e como não poderia deixar de ser, atinge a nós maçons. Mas até que ponto as inovações tecnológicas irão afetar a vida em Loja sem estar desrespeitando ao 2º LandMark? Não sabemos, no entanto devemos ter a consciência de que a pureza da transmissão do conhecimento não pode ser manchada pelo daninho espírito inovador.
Muitos ainda, talvez por não terem compreendido a essência, tecem comentários infelizes sobre a prática ritualística, em especial no R.˙.E.˙.A.˙.A.˙., alegando ser demasiadamente repetitivo, enfadonho, confundindo com monotonia. Então, devem os mais experimentados intervirem, pois rotina é diferente de monotonia.
Segundo Cortella, a rotina é libertadora, pois permite organizar uma atividade, e assim utilizar de modo inteligente o tempo. Mas uma vez, é fazer o uso da alegoria trazida na Régua de 24 Polegadas, ou quando da utilização da palavra, aproveitar para treinar a síntese, expressarmos as opiniões no tempo regulamentar de nossos rituais, sendo claro, preciso e conciso. Tal prática nos ajudará sem dúvidas na resolução rápida dos conflitos diários, nas tomadas de decisões; compreender e praticar isso fará do homem maçom se tornar o que deve ser, um destaque positivo na sociedade que integra, pela objetividade e capacidade de se ver como um solucionador de problemas em sua vida profana, sem dúvida entender essa dinâmica fará valer a máxima  tempo é dinheiro. Imaginem, em uma reunião de negócios, você poder demonstrar em curto espaço de tempo seu produto ao cliente e este diante da clareza e objetividade se convencer e fechar o negócio.
E assim, a pedra bruta e disforme, irá, sob o golpe do maço e do cinzel, ganhar formas esplendorosas.
Para os irmãos que integram a carreira das armas, é o exato instante,  as frações de segundos, onde decide sobre atirar ou não em um agressor. De modo a avaliar se sua ação acarretará, ou não, em consequências nefastas à sociedade e a ele mesmo.
Conclui-se, portanto, que a rotina não é monotonia, aos ser laçado pela monotonia você será desviado de seu foco. Desse modo entende-se que a monotonia é o principal adversário da motivação.

Do Reconhecimento

Para falarmos sobre o reconhecimento devemos continuar estudando a motivação, ou melhor, seu inverso, a desmotivação.
Entenda por desmotivação a perda de um potencial para realizar algo, por acreditar ser indiferente fazer ou não fazer algo. A pessoa ao se encontrar nesse estágio necessita de uma injeção motivadora, principalmente se essa pessoa sempre foi proativa, colaboradora, cumpridora de seus deveres, necessita de urgente reconhecimento pelos bons serviços prestados.
Afinal, é de extrema satisfação receber reconhecimento, seja ele qual for, pois a distinção, ainda que singela, materializa a gratidão do grupo social a qual se insere o homenageado em relação àqueles que o aplaudem.
Organizações que valorizam seu material humano usam de maneira habitual atos de reconhecimento público. Nesta seara as instituições militares se sobressaem, basta observarmos as diversas solenidades de outorga de condecorações. Mas atento que, a falta de reconhecimento é um mal, porém seu excesso poderá também agir de modo a corromper aquele que recebe as salvas.

Conclusão

O Universo Maçônico é recheado de meandros, seja pela vasta simbologia, seja pela variedade de Ritos existentes. No entanto, o objetivo da Maçonaria Universal é uno trabalhar o homem, torna-lo útil à sociedade a qual se insere, sem necessariamente aparecer, sendo seu maior reconhecimento a certeza de que durante a sua existência buscou fazer feliz a humanidade. Um ideal aparentemente utópico, mas para o homem maçom é um objetivo, pois o homem maçom deve amar o desafio.
Atinente ao lapidar da pedra bruta, os mestres devem reconhecer de modo a incentivar, não deve o mestre se melindrar em dar bons conceitos, mas quando fazer, questionar aos aprendizes, ou companheiros, se estes são capazes de serem ainda melhores. Não permitindo que caiam na zona de conforto, ao contrário devem sempre instigar os obreiros mais novos, principalmente os neófitos, para que essses façam o melhor a cada vez que forem submetidos a uma prova.
Estudo, dedicação, motivação e reconhecimento, máximas guiadoras da vida em Loja, mantenedoras da chama da Pura Maçonaria, assim responderemos para os que não sabem o que fazemos, o real motivo deles não terem vontade de estar em Loja, ou seja, o motivo de não terem compreendido a essência maçônica. Apenas adentraram na Maçonaria, sem permitir que a Maçonaria entrasse no coração e na mente de cada um.


BIBLIOGRAFIA

·         Ritual do Aprendiz Maçom GLESP-2006
·         CORTELLA, Mário Sérgio. PORQUE FAZEMOS O QUE FAZEMOS? Aflições vitais sobre trabalho, carreira e realização. Editora Planeta do Brasil Ltda. . 19ª Edição. São Paulo, 2017.
·         CACHIOLI, Euclides. Revista A VERDADE nº 519, Março/Abril de 2017 – Vide ainda Errata constante no Índice, fl. 01, Revista A VERDADE nº 520, Maio/Junho de 2017, sobre correção de autoria

                                
                                             


Or\De  São Paulo, 25 de março de 2017 ( E\V\)




[1] Revista A VERDADE nº 519, Março/Abril de 2017 – Vide ainda Errata constante no Índice, fl. 01, Revista A VERDADE nº 520, Maio/Junho de 2017, sobre correção de autoria.
[2] CORTELLA, Mário Sérgio. PORQUE FAZEMOS O QUE FAZEMOS? Aflições vitais sobre trabalho, carreira e realização. 19ª Edição, Editora Planeta do Brasil Ltda. São Paulo, 2017.

[3] Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly - também conhecido por Apporelly e pelo falso título de nobreza de Barão de Itararé (Rio Grande, 29 de janeiro de 1895  Rio de Janeiro, 27 de novembro de 1971), foi um jornalista, escritor e pioneiro no humorismo político brasileiro. Opositor de Vargas e membro do ainda Clandestino Partido Comunista Brasileiro.
[4] CORTELLA, Mário Sérgio. PORQUE FAZEMOS O QUE FAZEMOS? Aflições vitais sobre trabalho, carreira e realização. Pg. 13 - 19ª Edição, Editora Planeta do Brasil Ltda. São Paulo, 2017.
[5]AUTÔMATO:Pessoa inconsciente, cujos .atos obedecem à vontade alheia ou não são precedidos de reflexão. Em: Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt [consultado em 25-03-2017].
[6] SEXTANTE: instrumento óptico de reflexão, cujo limbo graduado ocupa a sexta parte do círculo (60 graus) e que permite medir, a bordo de um navio ou de uma aeronave, a altura dos astros e suas distâncias angulares, não obstante a instabilidade do observador.